Publicado em 24/04/2026 às 07h44.

‘Simbiose estranha’: Reitor da UFBA acusa vice de ‘incoerência ética’

Gestão de Paulo Miguez critica uso de cargo para fins eleitorais; Penildon Silva filho aponta abuso de poder político

Raquel Franco
Foto: Reprodução/Elias Dantas/Alô Alô Bahia

 

A Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), comandada pelo reitor Paulo César Miguez de Oliveira, publicou, no fim da noite de quarta-feira (22), uma nota oficial de repúdio às condutas do vice-reitor e pré-candidato ao reitorado, Penildon Silva Filho.

O texto publicado no site e redes sociais da instituição classificou como “deplorável” e “incoerência ética grave” a postura do docente, alegando que ele tem se apresentado como um elemento externo à gestão para fins eleitoreiros, apesar de ocupar cargo de corresponsabilidade direta. 

A nota acusa o vice-reitor de desrespeitar os princípios de moralidade e impessoalidade previstos no Artigo 37 da Constituição Federal, citando ainda críticas “inverídicas” feitas por ele contra pró-reitoras da instituição. O texto é assinado pelos pró-reitores e superintendentes da instituição.

Leia a nota da UFBA

 

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Eleições diretas na universidade

O embate ocorre em um momento histórico para a instituição: pela primeira vez em 80 anos, a UFBA terá eleições diretas para a Reitoria, conforme a Lei nº 15.367/2026, aprovada pela Câmara dos Deputados em fevereiro e sancionada pelo presidente Lula (PT) no dia 30 de março. 

O pleito, marcado para os dias 20 e 21 de maio, tem quatro pré-candidaturas principais. Penildon Silva Filho encabeça a chapa “Mais UFBA”, enquanto o ex-reitor João Carlos Salles lidera a chapa “Somos UFBA”, contando com o apoio público do atual reitor, Paulo Miguez. Também estão na disputa o professor Fernando Conceição e a professora Salete Maria da Silva.

A Administração Central sustenta que Penildon utiliza a estrutura da universidade para produzir desgaste institucional, mencionando especificamente falhas atribuídas por ele à implementação do sistema SIGAA, processo que estaria sob responsabilidade direta do próprio gabinete da vice-reitoria. 

A UFBA ressalta na nota que a instrumentalização de denúncias para constrangimento de agentes públicos, especialmente mulheres em cargos de liderança, configura uma prática de perseguição incompatível com o debate democrático.

O que diz Penildon

Em resposta, nesta quinta-feira (23) Penildon publicou uma manifestação à comunidade acadêmica nas redes sociais refutando as acusações. O candidato classificou a nota da Reitoria como um “abuso de poder político” e uma tentativa de inviabilizar um projeto alternativo de gestão. 

Segundo Penildon, o uso de canais institucionais para atacá-lo favorece o candidato de preferência do atual reitor, o que seria “inadmissível e ilegal”. Ele argumenta que as críticas à eficiência da gestão são legítimas e que as acusações de “incoerência ética” podem configurar calúnia e difamação, reafirmando que a universidade deve prezar pela isonomia e pela não perpetuação de um mesmo grupo político no poder.

Leia a resposta do docente

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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