Publicado em 27/05/2020 às 13h40.

STJ determina apuração de vazamento na Operação Placebo

Segundo o ministro Benedito Gonçalves, se o vazamento for confirmado, 'será necessário responsabilizar penalmente o autor da conduta ilícita'

Agência Brasil
Foto: Divulgação/STJ
Foto: Divulgação/STJ

 

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves pediu nesta quarta-feira (27) ao Ministério Público Federal (MPF) para apurar suposto vazamento da Operação Placebo, deflagrada ontem pela Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro e São Paulo, que tem entre os investigados o governador do estado do Rio, Wilson Witzel, e a mulher dele, Helena Witzel.

Segundo o ministro, se o vazamento for confirmado, “será necessário responsabilizar penalmente o autor da conduta ilícita, como forma de não prejudicar a integridade das instituições”.

A Operação Placebo vai aprofundar as investigações que começaram com a Polícia Civil do estado, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal (MPF) para apurar a existência de um esquema de corrupção envolvendo uma organização social contratada para a instalação de hospitais de campanha e servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do Estado do Rio de Janeiro.

Autorizada pelo ministro Benedito Gonçalves, a operação teve 12 mandados de busca e apreensão, dez no Rio e dois em São Paulo e contou com equipes da Polícia Federal de Brasília, além de agentes do Rio. A PF informou que a Operação Placebo apura “indícios de desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19), no Estado do Rio de Janeiro”.

Logo cedo, a PF chegou ao Palácio Laranjeiras, residência oficial do governo do estado do Rio, na zona sul da cidade, onde moram Witzel e a família. Os agentes passaram mais de duas horas no local para recolher informações. Após a saída dos policiais, o governador Wilson Witzel divulgou nota em que negou participação ou autoria dele em qualquer tipo de irregularidade nas questões que envolvem as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal. “Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos. Sigo em alinhamento com a Justiça para que se apure rapidamente os fatos. Não abandonarei meus princípios e muito menos o Estado do Rio de Janeiro”, informou.

Também na nota, Witzel comentou vazamentos que antecederam a deflagração da Operação. “Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará. A interferência anunciada pelo presidente da república está devidamente oficializada”, indicou.

Depoimento

Ainda dentro da Operação, o ministro determinou depoimentos de Wilson Witzel, mas como todo o processo referente à decisão está sob sigilo não foi confirmando quando o governador será ouvido pela Polícia Federal.