Publicado em 05/03/2026 às 12h16.

UNESCO destaca excelência técnica na preservação do acervo do Arquivo Público da Bahia

Programa Memória do Mundo valida excelência na preservação de acervo sobre a escravidão 

Raquel Franco
Foto: Raquel Franco / bahia.ba

 

O reconhecimento da coleção “Passaportes de Escravizados, Libertos, Livres e Africanos (1821–1889)” pelo Programa Memória do Mundo da UNESCO, regional América Latina e Caribe, atesta a qualidade técnica e a relevância histórica do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB). Segundo Adauto Cândido Soares, Coordenador Nacional do programa, a nomeação não é um título de simples obtenção.

De acordo com o representante da UNESCO, a entrada no registro regional é resultado de um projeto de candidatura que comprova a capacidade da instituição em manter a integridade de suportes frágeis por quase dois séculos. “Esse título ressalta a importância da qualidade técnica e da relevância do acervo que foi nominado”, afirmou Soares.

A certificação ocorre no momento em que a instituição celebra 136 anos com o anúncio de investimentos em modernização e a resolução da situação dominial de sua sede, o Solar da Quinta.

Para o coordenador, o selo internacional atesta que o APEB possui “expertise técnica, competência arquivística para preservar um documento de quase 200 anos de existência. Mostra que o arquivismo no Estado da Bahia está vivo, está gerando exemplos para o país e que a memória é valorizada”, disse.

Segundo Soares, o Brasil soma aproximadamente 45 acervos nominados no registro regional da América Latina e Caribe ao longo de 25 anos. O último ciclo foi considerado excepcional, com sete novas nominações brasileiras. No caso baiano, a documentação é relativa à escravidão, considerada fundamental para a compreensão da formação social brasileira. O representante detalhou que o comitê avaliou criteriosamente o modo como os documentos do acervo relativos aos negros e à escravidão no Brasil foi preservado.

Para a UNESCO, o momento é de reconhecimento institucional. “Não é um título de fácil conquista. Então, é motivo sim de muita celebração, de orgulho para o Estado da Bahia e para o Arquivo Público”, concluiu Soares.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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