Publicado em 18/03/2016 às 18h57.

Unidade na diversidade ou mudança de timoneiro

O Brasil está desorientado e o primeiro dever do governante é garantir o bem comum

Marcos Sampaio
Brazil Confederations Cup Protests
Imagem ilustrativa (Reprodução internet)

 

Em seu Discurso da Casa Dividida, do ano de 1858, o então candidato a presidente dos EUA, Abraham Lincoln, após embasar sua fala num trecho do Novo Testamento, do Livro de Mateus, 12:25, que fala que “todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá”, afirmou sua posição de que “uma casa dividida contra si mesma não pode permanecer”.

Ao fazer a analogia entre o texto bíblico e a situação dos Estados Unidos naquele período, Lincoln instigava os americanos a buscarem uma solução para a rixa entre os Estados escravocratas do Sul e os estados libertários do Norte.

A casa brasileira, no atual momento, se encontra em divisão social profunda (ainda que não em proporção idêntica de 50%), com posições enraizadas contra e a favor da presidente da República. Até esse ponto, isso não seria nada anormal, afinal não há unanimidade política no país (ainda bem). O que é anormal e incomum é a incapacidade de um governo de promover o mínimo de tranquilidade e equilíbrio entre as diferenças.

 

A casa brasileira, no atual momento,

se encontra em divisão social profunda

 

O Brasil está desorientado e o primeiro dever do governante, como ensinaram Aristóteles e Platão, é garantir o bem comum. Para isso, sua principal preocupação é com a unidade do corpo social. Garantir a unidade na diversidade é indispensável para manter a condição de dirigir uma nação. Uma nação não se constrói sem a capacidade de superar tensões.

Sem essa capacidade, alguma mudança tem que ocorrer porque, como dizia São Tomás de Aquino, um veleiro não chegaria a seu destino se, entregue aos caprichos dos ventos que sopram em várias direções, não for sabiamente conduzido pelo timoneiro, que mantenha o leme e garanta o percurso rumo ao porto desejado.

 

MArcosSampaio_200x200Marcos Sampaio é advogado, procurador do Estado da Bahia, professor da Faculdade Bahiana de Direito e da Faculdade de Direito da Unifacs.

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio é advogado, procurador do Estado da Bahia, professor da Faculdade Bahiana de Direito e da Faculdade de Direito da Unifacs.

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Temas: Brasil , crise , divisão