Publicado em 29/05/2026 às 11h12.

Wagner reage a Trump e classifica ida de Flávio aos EUA como ‘vergonhosa’

O senador reforçou que as organizações criminosas são, de fato, um terror, mas fez ponderações

Neison Cerqueira / Daniel Serrano
Foto: Daniel Serrano/bahia.ba

 

Pré-candidato à reeleição no Senador, Jaques Wagner (PT) subiu o tom contra a decisão do governo dos Estados Unidos de reconhecer as facções Primeiro Comando da Capital (PCC)e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e também criticou a iniciativa do colega de parlamento e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), que se encontrou e fez o pedido ao presidente Donald Trump.

Wagner esteve presente na ação “Governo do Brasil na Rua e Periferia de Direitos”, realizada nesta sexta-feira (29), no bairro de Pernambués, em Salvador.

Em conversa com jornalistas, o petista ressaltou que a decisão foi feita pelo governo americano e sinalizou que não iria se meter na administração americana. Wagner reforçou que as organizações criminosas são, de fato, um terror, mas fez ponderações.

“A decisão dele vale lá [nos EUA] para dentro. Evidentemente que nós não vamos aceitar a quebra da soberania nacional, o que eu acho vergonhoso. Evidentemente que as organizações criminosas, elas são um terror, vou chamar assim, pra população brasileira, que elas intimidam, assim como as milícias, tá certo? Porque não é só organização criminosa, as milícias também fazem isso. Mas, na minha opinião, elas são um terror e eu acho que por isso que o presidente Lula tem a PEC da Segurança para ser votada, está pensando em criar o Ministério da Segurança para integrar as inteligências das polícias civis e militares de todo o país com a Polícia Federal pra gente ter mais eficiência no combate”, explicou.

Sobre a ida de Flávio aos EUA, o petista classificou o encontro como “vergonhoso” e disse que o liberal foi “pedir arrego” ao líder americano. “Agora, o que eu acho vergonhoso? É alguém que se diz que pretende ser candidato à Presidência da República e ir lá – me desculpe o termo – pedir arrego aos outros e achar que os outros vão intervir aqui os Estados Unidos vai resolver o problema de segurança. Eles não resolveram o problema da segurança deles, que eles estão querendo levantar o muro com o México porque onde é que se consome droga em país rico, inclusive lá, o que eu acho deplorável. Nós não vamos abrir mão da nossa soberania”, disparou.

Wagner revelou que conversou e sugeriu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunisse com os chefes da Câmara dos Deputados e Senado, “porque essa afronta não é ao Executivo, é ao país agora”.

O petista subiu ainda mais o tom contra Flávio Bolsonaro, colocando em cheque a “moral” do liberal ante ao governo americano. “É deprimente realmente. Primeiro vai o irmão pedir para falar mal do Brasil. Primeiro que eu não acho que ele tem moral para decidir o que o presidente Trump vai fazer ele deve ter ouvido falar, o galo cantar, que ele ia anunciar se picou pra lá para poder está, mas só teve a foto dele em pé não conseguiu nem sentar pra conversar com o cara”, declarou.

Questionado sobre a possibilidade de interferência dos EUA nas eleições presidenciais de outubro no Brasil, Wagner disse não acreditar nessa possibilidade. “O povo brasileiro tem a cabeça erguida, a sua soberania, e vai julgar os candidatos de acordo com cada candidato fez pelo seu país. Não acho que isso tenha peso maior do ponto de vista eleitoral”, pontuou.

Segundo o pré-candidato, Flávio está “urrando porque foi pego com a boca na botija num negócio do Daniel Vorcaro, dono do Master”. “Ele disse que não conhece o cara e pediu R$ 134 milhões. Não conhece o cara e foi visitar o cara de tornozeleira. Depois disso que foi lá pra dizer pro cara, olha, ele não vem mais aqui. Parece que era o fim do namoro, olha, eu não posso mais aparecer aqui que você tá de tornozeleira”, disse.

Para Wagner, Flávio foi até os EUA apenas para bater foto com Trump. “Depois vai o presidente do partido dele e fala: “Não, ele foi lá para pegar o resto do dinheiro que ainda não tinha chegado”. Quando o cara começa a mentir, cada hora se enrola mais, entendeu? Então ele foi lá para bater a foto, queria ter um encontro com o cara. É diferente de três horas de diálogo que um presidente que se respeita com o presidente Lula, esteve com ele lá. E ele saiu elogiando o presidente Lula”, disparou. – ajuste, revise e mantenha toda a estrutura com falas

Neison Cerqueira
Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política no portal bahia.ba.

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