Publicado em 18/07/2025 às 15h45.

Greve dos professores chega ao fim após acordo entre prefeitura e APLB

O prefeito Bruno Reis confirmou o retorno imediato das aulas na rede municipal de ensino já neste sábado (19) e nas demais unidades a partir da próxima segunda-feira (21)

Neison Cerqueira
Foto: Betto Jr. / Secom PMS

 

Chegou ao fim a greve dos professores da rede municipal de ensino de Salvador. A decisão ocorreu após mais de 70 dias de movimento grevista, com muitas manifestações e sem nenhum acordo costurado anteriormente. O martelo foi batido na manhã desta sexta-feira (18), na Quadra do Sindicato dos Bancários, no Centro.

O acordo com a Prefeitura de Salvador foi assinado nesta mesma tarde. Após a reunião, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) confirmou o retorno imediato das aulas na rede municipal de ensino já neste sábado (19) e nas demais unidades a partir da próxima segunda-feira (21). O ano letivo da capital baiana será estendido até janeiro, com o objetivo de cumprir os 200 dias mínimos que são exigidos por lei.

“Algumas escolas amanhã já terão aulas como parte do programa Aprender+, que também vai nos ajudar nessa recomposição. A partir de segunda-feira, é 100% normalidade. Vamos estabelecer um calendário para a reposição das aulas. Foram 43 dias úteis comprometidos e nós, gestão e professores, assumimos o compromisso de que não iríamos, em hipótese alguma, comprometer os 200 dias do ano letivo, garantindo que o nosso objetivo principal é uma educação de qualidade, que nossas crianças possam aprender”, disse Bruno Reis.

Em entrevista ao bahia.ba, o coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB-Sindicato), Rui Oliveira, deu mais detalhes sobre como foi a assembleia da categoria.

“Fizemos 74 dias de greve! A categoria e a assembleia geral, realizada hoje pela manhã, deliberou pela suspensão da greve. Acabamos de assinar um acordo com o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), um acordo que ele tinha enviado para assembleia. Então, nós vamos agora cobrar o suprimento do acordo, que também prevê outras coisas”, detalhou Rui.

Retirada de multas e penalizações

De acordo com o coordenador, o acordo assinado com a Prefeitura prevê a retirada de multas e de possíveis penalizações aplicadas ao sindicato, no âmbito do não cumprimento do fim da greve.

“Nós temos mais de R$ 100 milhões em multas. A minha pessoa, enquanto dirigente, tinha multa pesada com o fisco do meu carro, com o fisco do afastamento e até tentativa de prisão. Nós discutimos lá com a prefeitura, onde o acordo prevê o perdão dessas coisas”, contou o professor.

Reposição das aulas

Rui Oliveira garantiu que haverá a reposição dos 74 dias sem aula. “A greve é uma coisa muito complicada, muito complexa. Temos um compromisso de reposição das aulas e vamos seguir firme na luta. Então, no geral é isso”, disse.

Pagamento do piso e propostas

Questionado pelo bahia.ba sobre o piso salarial dos educadores, Rui afirmou que o acordo foi construído com base na reposição dos 74 dias de greve. “Tem um prazo de dois anos, tem a instalação de uma mesa de negociação permanente, onde nós vamos tratar dessas questões para reconstruir o piso”, pontuou.

“Ele [o prefeito] vai esperar a Câmara Municipal retornar do recesso. Logo que voltar a Câmara Municipal, lá por meio de agosto, ele vai enviar um projeto de lei para recuperar isso”, completou Rui.

O professor revelou que a prefeitura acatou as propostas feitas pela categoria e detalhou quais foram os pedidos feitos à gestão municipal. “A questão de convocação dos concursados; abertura de concurso público ainda esse ano; climatização de todas as escolas da rede até o final do ano; a criação de novas gratificações para reconstruir o plano de carreira, entre outras questões. E além do perdão das multas impostas ao sindicato. Isso tudo ficou no acordo, que foi assinado agora à tarde na Prefeitura”, explicou Rui.

A greve

A categoria entrou em greve por tempo indeterminado desde o dia 6 de maio. Os professores cobravam do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), o pagamento do piso nacional da categoria, fixado em R$ 4.867,77 pelo Ministério da Educação (MEC), em 2025.

Neison Cerqueira
Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política no portal bahia.ba.

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