Publicado em 09/02/2026 às 14h06.

Bloco Xô Assédio leva protesto contra a violência à mulher na Mudança do Garcia

Organizado por entidades ligadas à defesa dos direitos das mulheres, o bloco deve reunir mais de 300 foliões

Redação
Foto: Divulgação

 

Pelo terceiro ano consecutivo, o bloco Xô Assédio! desfila na Mudança do Garcia com mensagens de combate à violência contra a mulher. Na segunda-feira de Carnaval (16), o grupo ocupará o Circuito Riachão com placas e estandartes que trazem dizeres como “Xô Feminicídio!”, “Não é Não!” e “Basta de assédio!”, em meio ao tradicional cortejo popular.

A iniciativa ocorre em um contexto de agravamento do problema. Dados da Defensoria Pública apontam que o número de atendimentos a vítimas de violência aumentou 50% em 2025 na comparação com o ano anterior. No Brasil, quatro mulheres são mortas por dia em decorrência da violência de gênero, segundo estimativas oficiais.

Organizado por entidades ligadas à defesa dos direitos das mulheres, com apoio da vereadora Aladilce Souza (PCdoB), o bloco deve reunir mais de 300 foliões, entre mulheres e homens aliados à causa. O desfile será puxado por um microtrio comandado por Ivan Huol e terá participação da cantora Juliana Ribeiro. A saída está prevista para a manhã, do final de linha do Garcia, em direção ao Campo Grande, onde se concentram arquibancadas públicas e camarotes oficiais.

Aladilce afirma que a Mudança do Garcia, que completa 96 anos em 2026, reúne características que reforçam o simbolismo do protesto.

“Eu costumo dizer que a Mudança do Garcia, que este ano completa oficialmente 96 anos, é um carnaval à parte, é uma das maiores manifestações populares de Salvador, ponto de encontro da classe trabalhadora, um dos espaços ainda democráticos na folia, a cada ano mais privatizada. Afinal, até ‘passarela do apartheid’ já temos, com o incentivo da prefeitura. E não poderia existir um local mais apropriado que a Mudança para levarmos a luta contra a violência à mulher, este ano incentivada até mesmo pelo governo federal, com uma bela campanha de conscientização dos homens”, declarou.

O circuito leva o nome do sambista Riachão, por lei de autoria da própria vereadora. Durante o percurso, o bloco costuma fazer uma parada na antiga casa do artista, morto em 2020, transformada em um ponto de homenagem ao patrono do trajeto.

Patrocinado pela Bahiagás, o Xô Assédio reúne entidades como a União Brasileira de Mulheres (UBM), Ampara Mulher, CTB, APLB-Sindicato, Sindsaúde-BA, Comissão de Mulheres do Sinjorba, Flor de Cacto, Divas de Batom, Movimente Raízes, Poder Grisalho, Iecis, Melhor Idade em Ação, Balbina’s Fitness, Associação 8 de Março de Mulheres de Cajazeiras (Assomu) e a Roda de Samba Mulheres de Itapuã.

Para os organizadores, a presença no Carnaval busca ampliar o alcance da mensagem em um dos maiores eventos populares do país, reafirmando que a festa também pode ser espaço de mobilização social e enfrentamento à violência de gênero.

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