Publicado em 22/02/2016 às 13h40.

Chacina do Cabula: ato público neste sábado marca um ano

A partir das 8h, dezenas de mulheres e homens se unem na Vila Moisés para protestar pelo assassinato de doze rapazes negros na noite do dia 6 de fevereiro de 2015

Redação
Foto: Divulgação Quilombo Xis/ Fafá M. Araújo
Foto: Divulgação Quilombo Xis/ Fafá M. Araújo

 

“Quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele”. Considerando a absolvição relâmpago dos policiais pelas doze mortes na Chacina do Cabula, a oração de Martin Luther King deixa de ser, no contexto de insegurança na periferia baiana, uma frase de efeito para ser efetivamente o efeito de uma frase. No próximo sábado (27), a partir das 8h, dezenas de mulheres e homens se unem na Vila Moisés, no Cabula, para fazer valer sua indignação e solidariedade diante da impunidade e violência que sentenciaram a vida de doze rapazes negros na noite do dia 6 de fevereiro de 2015.

Poesia e música, rádio comunitária e biblioteca, intervenções políticas e oficina de turbante são algumas das uniões que a Quilombo Xis Ação Cultural Comunitária, organizadora da Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, promove no sábado juntamente com os familiares da vítimas e a comunidade de Vila Moisés.

O protesto coletivo lembra um ano de impunidade pelas execuções e cobra o pedido de federalização do caso, já feito pela ONG Justiça Global e analisado na Procuradoria Geral da República.

Na última sexta-feira (19), o Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Bahia (OAB-BA), aprovou duas propostas referentes ao caso. Uma delas é a confecção de um estudo através dos conselheiros federais para tentar federalizar o caso. A outra é a criação de uma comissão especial formada também para que faça uma discussão sobre a possibilidade de encaminhar o caso para a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Tributo – No dia 6 de fevereiro de 2015, 12 jovens entre 16 e 27 anos foram mortos em Vila Moisés, região do Cabula, em Salvador (Brasil), por policiais das Rondas Especiais da Bahia (Rondesp). Foram executados na ação da PM: Adriano de Souza Guimarães, 21 anos; Jeferson Pereira dos Santos, 22, João Luís Pereira Rodrigues, 21, Bruno Pires do Nascimento, 19, Vitor Amorim de Araújo, 19; Tiago Gomes das Virgens, 18, e Caique Bastos dos Santos, 16; Evson Pereira dos Santos, 27, e Agenor Vitalino dos Santos Neto, 19; Natanael de Jesus Costa, 17, e Ricardo Vilas Boas Silva, 27; e Rodrigo Martins Oliveira, 17.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), no dia seguinte ao fato, conhecido como Chacina do Cabula, elogiou a ação dos policiais, chamando-os de “artilheiros diante do gol”. Denúncia do Ministério Público Estadual da Bahia, feita com base nos laudos necroscópicos, depoimentos de testemunhas, concluiu pelo indiciamento de nove integrantes das Rondesp por homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio de outras seis pessoas.

No dia 26 de julho de 2015, em uma decisão-relâmpago e incomum para os padrões da Justiça brasileira, a juíza Marivalda Almeida Moutinho absolveu os nove PMs acusados. A magistrada substituía o juiz titular do caso, que estava de férias.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que todos os policiais envolvidos na execução dos doze jovens continuam a desempenhar suas funções normalmente, exceto um deles, que se encontra preso por envolvimento em outro crime.

 

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