Publicado em 21/10/2019 às 21h20.

Dia do Comerciário: trabalhadores reclamam de impasse entre patrões e empregados

O bahia.ba visitou algumas lojas abertas nesta segunda, e funcionários reclamaram da decisão em cima da hora; 'Os clientes ficam sem saber se vai ou não funcionar e acaba não vindo'

Bianca Rocha
Foto: Bianca Rocha/bahia.ba
Foto: Bianca Rocha/bahia.ba

 

A segunda-feira (21) foi marcada pelo movimento fraco nos shoppings e no comércio de rua de Salvador. Apesar de ser considerado feriado do Dia dos Comerciários para alguns, o impasse entre patrões e trabalhadores não deixou que todos os funcionários da classe pudesse comemorar o dia de folga.

O bahia.ba esteve em um shopping da capital baiana, na tarde desta segunda, para observar o movimento e conversar com alguns funcionários que trabalharam nesse dia. Os poucos estabelecimentos que abriram estavam com o movimento muito fraco, funcionários parados e poucos clientes circulando no interior das lojas.

Jéssica dos Santos, gerente de um quiosque de produtos de beleza, contou ao bahia.ba que esse impasse é ruim, pois acaba impactando nas vendas.

“O cliente já está acostumado com esse feriado. Todos já sabem que os únicos dias do ano que de fato todas as lojas dos shoppings da cidade fecham é no dia do comerciário e no dia do trabalhador. Esse impasse dificulta a vida do vendedor, pois se o cliente não sabe se a loja vai abrir, ele não vem”, disse a gerente.

Além disso, Jéssica ressaltou que o dia de descanso é válido, mas é preciso ter uma determinação concreta para que seja bom para todos os lados. “Deveriam deixar essa decisão mais fechadinha. É ruim o fechamento pelas vendas que perdemos, mas o funcionário também precisa descansar. Se houvesse um planejamento, tudo seria mais fácil.”, concluiu.

Outra gerente, que conversou com a nossa equipe, disse também que por causa do impasse não só as vendas são prejudicadas, mas toda a equipe.

“As circulares chegam para a gente muito tarde. Eu, como gerente, preciso fazer escala de folga dos funcionários e acabo que não consigo fazer esse planejamento em cima da hora”, disse Beatriz Marques.

Ela reclama também das vendas, que diminuíram cerca de 50% no último feriado. “No feriado do dia das crianças, por exemplo, eles decidiram em cima da hora que não funcionaria. Algumas lojas decidiram abrir, por conta própria, assinando um termo. Acabamos que vendemos apenas 7 mil reais, sendo que no ano passado vendemos o dobro no mesmo dia”, pontuou.

As reclamações não são apenas dos funcionários. Clientes que frequentam os shoppings, como Elenice Pereira, diz que essa data deveria ser o dia do descaso desses trabalhadores.

“Os comerciários já trabalham tanto, todos os dias do ano, nada mais justo que um feriado para eles descansarem. Chega no final do ano, virada de shopping e todos estão aqui para nos atender. Sempre com um sorriso no rosto. Acho justo esse feriado para o dia do descanso deles.”, disse a consumidora que estava passando pelo shopping.

Leilane Barbosa, que trabalha em shopping há três anos, contou que além da folga perdida, o impasse prejudica a comissão que ela ganharia no final do mês. “As vendas hoje caíram bastante. O shopping está muito parado, praticamente vazio. Em média, vendemos 500 reais por dia, por que a loja é menor, mas hoje ainda não vendi nada”, pontuou a vendedora.

O Sindicato dos Lojistas (que representa os donos das lojas) diz que essas reclamações dos trabalhadores precisam ser repassadas para o sindicato deles. ‘O Sindilojas-BA apenas busca regular o funcionamento do comércio no dia do comerciário’, disse a entidade ao bahia.ba.

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