Publicado em 09/07/2020 às 10h04.

Em meio à pandemia, Prêmio Maria Felipa inova e ocorrerá de forma online este ano

Premiação está marcada para o dia 25 de julho, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Redação
Foto: Divulgação/Assessoria
Foto: Divulgação/Assessoria

 

Honraria voltada para homenagear mulheres negras que se destacam na luta contra o racismo, o Prêmio Maria Felipa, depois de mais de dez anos de existência, se inova neste ano, devido a pandemia do novo coronavírus, e ocorrerá por transmissão online.

Marcado para o dia 25 de julho, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a premiação será transmitida nas redes sociais da vereadora Ireuda Silva (Republicanos), que será anfitriã do evento.

Neste ano, 12 nomes integram a lista de premiadas: Ana Amélia (médica oncologista), Ashley Malia (jornalista), Flávia Barreto (major da PM, Ronda Maria da Penha), Carolina Santana (guarda municipal), Juliana Galvão (psicóloga), Luana Assis (jornalista), Noemia Araújo (liderança comunitária), Charlene da Silva Borges (defensora pública federal), Jeane Cordeiro de Oliveira (empresária), inspetora Amado (Guarda Municipal), Carol Barreto (estilista) e Ana Teles (empreendedora).

No ano passado, em sua edição de 10 anos, o Prêmio Maria Felipa foi realizado no Centro de Cultura da Câmara de Salvador e teve recorde de público. Na ocasião, foram premiados nomes como Maria Angela, diretora da Netflix Brasil; a atriz e produtora Maria Gal; Cristiane Brito, da Guarda Municipal de Salvador; e Rita Brito, coordenadora do movimento Novas Felipas.

“Como é de costume, nossa vontade era promover um evento digno da importância do tema e dessas verdadeiras guerreiras que estamos homenageando. Mas, com a pandemia, nossa alternativa foi realizar a cerimônia online. Isso nos deixa tristes, mas não podíamos interromper a tradição. Além disso, celebrar a luta contra o racismo também é uma forma de resistência e de manter a voz ativa. Não podíamos nos render ao silêncio”, diz Ireuda, que é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e vice-presidente do colegiado de Reparação.

“A Bahia e o Brasil ainda sofrem com a discriminação racial, que segrega e mutila direitos fundamentais. Nesse contexto tão cruel e que ainda guarda resquícios da escravidão, as mulheres negras são duplamente vitimadas, já que o preconceito tem natureza racial e de gênero”, prossegue a republicana. “Desse modo, penso que este dia e este prêmio são o mínimo que podemos fazer para reafirmar o nosso posicionamento, mostrar que nós, mulheres negras, estamos aqui, que somos peças fundamentais da história do Brasil e da Bahia. E que lutamos constantemente para melhorar a realidade de todas nós”, completa a vereadora.

Quem foi Maria Felipa?

Maria Felipa de Oliveira foi uma marisqueira e pescadora que viveu na Ilha de Itaparica. Assim como Joana Angélica e Maria Quitéria, ela lutou pela Independência da Bahia. Em 1823, lidero um grupo composto por mais de 200 pessoas, entre as quais estavam índios tupinambás e tapuias, além de outras mulheres negras, nas batalhas contra as tropas portuguesas que atacavam a Ilha. Conta-se que o grupo foi responsável pela queima de pelo menos 40 embarcações portuguesas.