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Publicado em 05/02/2026 às 16h49.

Forrozeiros defendem protagonismo do gênero no São João em reunião na UPB

Grupo apresentou à entidade uma proposta de TAC que prevê medidas para ampliar a presença de artistas baianos no São João

Redação
Foto: Assessoria

 

Mais de 50 forrozeiros de diferentes regiões da Bahia se reuniram nesta quinta-feira (5), em Salvador, com o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, para discutir a valorização do forró nas programações oficiais dos festejos juninos promovidos pelas prefeituras.

O grupo apresentou à entidade uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que prevê medidas para ampliar a presença de artistas baianos no São João. Entre os principais pontos estão a exigência de que pelo menos 50% das atrações contratadas sejam do estado, com aplicação do mesmo percentual sobre os recursos investidos, além de critérios de transparência e desburocratização nos processos de contratação.

Os forrozeiros foram representados pelo músico e produtor cultural Carlos Mateus e pela produtora Alessandra Gramacho, que atuaram como porta-vozes do movimento. A iniciativa busca responder ao que o grupo aponta como perda de espaço do forró tradicional nos festejos juninos, diante do avanço de outros gêneros musicais nas grades financiadas com recursos públicos.

Durante o encontro, o cantor e compositor Del Feliz afirmou que a reunião representa um avanço no diálogo institucional. Segundo ele, a mobilização se conecta a uma reivindicação histórica do segmento. “Essa luta vem da tentativa de implementação da Lei da Zabumba, para que parte dos recursos públicos seja destinada à autenticidade das festas culturais, especialmente o São João, valorizando os artistas regionais”, disse.

O presidente da UPB avaliou o encontro como positivo e afirmou que há, entre prefeitos, uma percepção crescente sobre a necessidade de valorização da cultura regional. “Existe um sentimento entre prefeitos e prefeitas de que é preciso valorizar o forró”, disse Wilson Cardoso. Segundo ele, a entidade deve acionar o setor jurídico para estudar alternativas legais que facilitem a contratação de artistas, especialmente aqueles em início de carreira. “Do jeito que está, muitas vezes se tira a oportunidade do primeiro emprego cultural desses artistas”, afirmou.

Entre os encaminhamentos discutidos estão a definição de percentuais mínimos de recursos para artistas locais, a simplificação de procedimentos para contratação de cachês de menor valor e o acompanhamento das medidas por órgãos de controle, como o Ministério Público e os tribunais de contas.

A proposta de TAC apresentada pelo movimento defende que os festejos juninos, reconhecidos como patrimônio cultural imaterial, sejam utilizados também como instrumento de fortalecimento da economia criativa, geração de emprego e preservação das tradições populares. O documento deverá ser debatido com prefeituras, órgãos de controle e o Governo da Bahia, com foco nos próximos ciclos do São João no estado.

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