Publicado em 04/03/2016 às 06h00.

Homicídios em Salvador têm aumento superior a 20% em fevereiro

Se a comparação for entre os dias 1º e 28 (já que 2016 é bissexto), o incremento é de quase 17%. Em média, no mês passado, seis pessoas foram mortas na capital ou na RMS

Jaciara Santos
Foto: Valter Pontes/Agecom | Efeito: bahia.ba
Foto: Valter Pontes/Agecom | Efeito: bahia.ba

 

Com um total de 175 homicídios em Salvador e região metropolitana, o mês de fevereiro confirma a tendência de 2016 como um ano violento no que se refere à ocorrência de crimes contra a vida. Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve um aumento porcentual de 22,3%. Em média, seis pessoas foram assassinadas a cada dia em algum ponto da capital ou da RMS, de acordo com boletim da Secretaria de Segurança Pública da Bahia. A grande maioria das mortes foi praticada com armas de fogo.

Os números oficiais vão ao encontro do levantamento da ONG mexicana Seguridad, Justicia y Paz que, no início deste ano, divulgou um ranking em que Salvador e RMS aparecem entre as 14 cidades mais violentas do mundo. A avaliação gerou reações iradas das autoridades de segurança pública do Estado, mas é agora corroborada pelos dados da própria SSP-BA.

Das 175 ocorrências de homicídio de fevereiro, 113 foram registradas em Salvador. No ano passado, na capital, foram 97 casos. Mais uma vez, o subúrbio ferroviário se destaca como região de maior concentração de assassinatos, com um total de 35 casos. Desses, 10 tiveram como cenário o bairro de Paripe e, possivelmente, estariam associados à guerra por disputa de pontos de tráfico na área. Plataforma, Lobato, Boa Vista do Lobato (cada um com 4), São Tomé de Paripe, São João do Cabrito e Periperi, entre outros, integram o mapa da violência suburbana.

Outra região que também pontua com destaque nas estatísticas é o Miolo de Salvador, com 17 homicídios em fevereiro. Para quem não sabe, o Miolo – segundo definição do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de 1978 (Plandurb) – é a porção central da capital e ocupa cerca de 35% da área total do município. Fica entre a BR-324, a Avenida Luiz Viana Filho (Paralela), Saramandaia e a zona norte da cidade. Na área, lideram o ranking de assassinatos os bairros de Sussuarana, (5) e Pau da Lima (3).

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Imagem ilustrativa

 

Camaçari & CIA – Na região metropolitana, o aumento é ainda mais expressivo: 34,7%. Em fevereiro do ano passado, foram registrados 46 homicídios, contra 62 agora em 2016. Camaçari lidera as estatísticas, com 15 casos distribuídos entre a sede (10) e localidades como Arembepe, Barra do Pojuca, Monte Gordo e Vila de Abrantes.

Simões Filho (10), Mata de São João (7) e Lauro de Freitas (6) são outros dos municípios que puxam as ocorrências de homicídios na RMS em fevereiro.

Com relação ao perfil das vítimas, nenhuma novidade: adolescentes e jovens do sexo masculino representam a esmagadora maioria. De um universo de 175 pessoas mortas, apenas oito são do sexo feminino. Com relação à idade, a concentração vai dos 16 aos 25 anos – 71 das vítimas estão nessa faixa, com predominância dos jovens de 23 anos (12) e 25 (10).

Os adolescentes somaram 22 casos (o mais novo com 14 anos e o mais velho com 17).

Ano bissexto – O fato de 2016 ser um ano bissexto (fevereiro tem um dia a mais) não chegou a alterar de forma substancial a comparação com 2015. Mesmo comparando o período de 1º a 28, ainda assim, os dados deste ano superam os do ano passado em 16,7%.

Aqui, uma curiosidade: os números referentes a fevereiro não incluem as duas mortes registradas no carnaval. Para o boletim da SSP-BA, os dois assassinatos – um deles, tendo como vítima o catador de lata Evilásio dos Santos, de 35 anos – não existiram.

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