Publicado em 08/04/2026 às 18h16.

Prefeitura leva apoio emergencial a pescadores e marisqueiros de São Tomé de Paripe

Iniciativa, que atende 626 famílias previamente cadastradas, reúne serviços sociais e distribuição de cestas básicas

Redação
Fotos: Bruno Concha / Secom PMS

 

A prefeitura de Salvador começou nesta quarta-feira (8) uma ação emergencial voltada a marisqueiras, pescadores e ambulantes impactados pela contaminação química na praia de São Tomé de Paripe, no subúrbio ferroviário da capital baiana.

A iniciativa, que atende 626 famílias previamente cadastradas, reúne serviços sociais e distribuição de cestas básicas na Escola Municipal Otaciano Pimenta, com funcionamento até quinta-feira (9), das 8h às 17h.

Coordenada pelas secretarias municipais de Promoção Social (Sempre) e Especial do Mar (Semar), a ação também inclui atualização do Cadastro Único, facilitando o acesso a programas federais sem a necessidade de deslocamento até a central no bairro do Comércio. Entre os benefícios disponíveis está o Seguro-Defeso, destinado a trabalhadores da pesca artesanal.

Segundo o secretário de Promoção Social, Júnior Magalhães, a medida busca mitigar os efeitos econômicos causados pela interrupção das atividades na região. “Estamos diante de um quadro social alarmante, e a nossa preocupação é social. Por isso, estamos atuando aqui, atendendo às pessoas que foram diretamente impactadas, pois fazem do mar o ganha-pão e o sustento de suas famílias. Sabemos que a situação de vulnerabilidade social é grande e, sem o sustento e a renda complementar, isso agrava ainda mais o cenário”, afirmou.

A secretária especial do Mar, Maria Eduarda Lomanto, ressaltou o impacto social decorrente do problema ambiental e a necessidade de acompanhamento contínuo. “O papel do município é acolher, entender as dificuldades e olhar com carinho para os pescadores e marisqueiros da nossa cidade. Para nós, o principal é pensar no futuro dessas pessoas, no que vai acontecer a partir de agora. A Prefeitura está atenta a tudo isso. Os CRAS estão de portas abertas, assim como as UPAs, os postos de saúde e os programas sociais. Estamos acompanhando tudo, com atenção ao que acontece na cidade”, disse.

Danos ambientais e prejuízos na comunidade

A praia de São Tomé de Paripe está interditada desde 11 de março, após o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) identificar contaminação por cobre e nitrato na faixa de areia. O episódio também foi marcado pelo aparecimento de manchas coloridas e pela morte de animais marinhos. De acordo com o órgão, há risco à saúde humana, com possibilidade de infecções, hepatite A e conjuntivite.

Moradora da região, a marisqueira Ediunice Oliveira, 55, afirma que a contaminação comprometeu integralmente sua renda em um período considerado estratégico. “Nessa época, por conta da Semana Santa, era para estarmos ganhando dinheiro. Mas não tivemos condições de pescar, porque a maré está contaminada e os pescados estão morrendo. Já são quase três meses. Perdemos não só o sustento, mas também o lazer, que é a praia, além de um recurso natural essencial para a nossa sobrevivência. Essa ação vai ajudar muito, porque estamos sem ter como sobreviver. O benefício vem para ajudar. Me sinto vista, e isso é muito importante”, afirmou.

Também afetada, a marisqueira e quilombola Elindeia Medeiros, 47, relata prejuízos que vão além da própria renda. “Somos seis irmãos. Sou dona de aviamento, rede e canoa, e fui diretamente impactada. Meu aviamento está parado, não temos como pescar. Agora mesmo começa a época do camarão, e não podemos vender. Esse benefício vai ajudar muito, é uma cesta bem servida que vai ‘segurar a onda’. Os meninos que pescam no meu aviamento se inscreveram e foram contemplados, o que é muito positivo”, disse.

 

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