.
Publicado em 08/01/2026 às 11h51.

Sócias da Escola Afro-brasileira Maria Felipa anunciam fechamento da unidade de Salvador

Em vídeo publicado nesta quarta (7), Bárbara Carine detalha o que motivou a decisão 

Raquel Franco
Foto: Reprodução/Redes sociais

 

As sócias do primeiro centro de ensino afro-brasileiro do Brasil, a Escola Maria Felipa, anunciaram o fechamento da unidade de Salvador em comunicado publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (7). Segundo o informativo, a decisão de encerrar as atividades enquanto escola privada na capital baiana ocorre após falta de retorno do investimento de mais de R$ 1 milhão com recursos pessoais.

Bárbara Carine e Maju Passos também afirmaram ter realizado “muito investimento emocional e por vezes de saúde” para a manutenção do negócio. Em vídeo publicado nas redes sociais, Bárbara detalhou o processo de decisão do fechamento da escola. Segundo ela, a sócia Maju investiu, de 2020 até 2025, cerca de R$ 668 mil do patrimônio familiar. 

“Salvador é nossa cidade. Nosso lugar no mundo. A Bahia é a terra de Maria Felipa, nossa heroína. Por isso lutamos todos esses anos pela manutenção do projeto na cidade. Entretanto, chegamos ao entendimento que, no momento, não é possível darmos continuidade. Esperamos, em outra conjuntura darmos continuidade neste sonho por aqui.”, diz um trecho do comunicado.

Veja o comunicado 

Falta de visão do modelo de negócios

Bárbara afirmou que sua motivação para abrir a escola veio por uma necessidade pessoal e pedagógica após a adoção da filha em 2017. Ela desejava uma instituição que oferecesse um acolhimento humanizado, reconhecesse as memórias e a história da criança e potencializasse sua subjetividade. A abertura oficial do primeiro ano letivo ocorreu em 2019.

A sócia relata que não abriu o negócio com o objetivo de lucrar, mas achou que a escola, pelo menos, “se pagaria”. Ela admitiu que o modelo de negócios da instituição como colégio privado não funcionou em Salvador. Bárbara acredita que a instituição deveria ter sido estabelecida como um instituto ou escola comunitária, o que teria permitido a captação de recursos públicos e a participação em editais públicos.

Dívidas

Embora tenham tentado migrar a operação para um instituto, as regras exigiam o fechamento da escola privada antes de reabrir sob o novo formato. Segundo Bárbara, o modelo privado gerou dívidas “estratosféricas”, com custos de rescisão e gastos em torno de R$ 380 mil. Caso continuassem com a escola, o valor estimado para 2026 era de R$ 450 mil. 

No vídeo, Bárbara desabafou ao relatar as dificuldades enfrentadas para continuidade da escola, mas assumiu que, neste momento, o fechamento foi a melhor decisão. “Ser mártir não é da cultura africana, da cultura ancestral. Não dava”, disse.

Unidade do Rio de Janeiro

“O acolhimento que a gente teve no Rio de Janeiro a gente não teve em Salvador”, afirmou Bárbara ao comparar a receptividade da escola nas duas capitais. Segundo ela, a inauguração da unidade no Rio teve amplo apoio dos movimentos sociais, da gestão municipal e de parlamentares. Ela relatou que a unidade do Rio de Janeiro projeta receber recursos de três emendas parlamentares e reforçou que a escola continuará em funcionamento.

No que classificou como um “novo começo”, Bárbara finalizou o vídeo agradecendo a todas as pessoas que fizeram parte da história do colégio, como funcionários, colaboradores e doadores. “A gente já está na história, o que é que vai ser daqui para frente eu não sei bem, mas com certeza a ancestralidade já está conduzindo esse processo”, concluiu Bárbara.

Assista ao vídeo

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.