Publicado em 05/03/2026 às 11h45.

Terminal Itapuã nega responsabilidade por poluentes na praia de São Tomé de Paripe

Empresa atribui resíduos a gestões anteriores 

Raquel Franco
Foto: Reprodução/TV Aratu

 

O Terminal Itapuã, atual operador de instalações portuárias na região do Subúrbio Ferroviário, emitiu comunicado oficial sobre o aparecimento de resíduos coloridos na Praia de São Tomé de Paripe. Em nota, a companhia negou que as substâncias encontradas, identificadas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) como nitrato e cobre, façam parte de sua cadeia logística. A empresa também solicitou que a investigação ambiental verifique os períodos anteriores à sua gestão.

De acordo com o comunicado, um levantamento das cargas movimentadas foi entregue ao órgão ambiental para demonstrar que os materiais de coloração azul e amarela possuem aspecto “incompatível” com o que é operado atualmente. A empresa defende que o Inema e os especialistas contratados foquem na análise do histórico operacional do terminal, sugerindo que o passivo ambiental pode ser de responsabilidade da antiga proprietária.

A operadora destacou ainda que a gestão anterior não disponibilizou os relatórios de investigação ambiental realizados por consultorias da época. “As circunstâncias do caso apontam para a necessidade de investigação sobre o histórico operacional no terminal”, afirmou a empresa, reforçando que opera em conformidade com as normas vigentes e possui certificações internacionais de gestão ambiental e segurança, como as ISO 14001 e 45001.

A Praia de São Tomé de Paripe segue interditada após laudos preliminares do Inema confirmarem altas concentrações de poluentes no sedimento arenoso. O caso gerou alerta devido à morte de espécimes marinhas e ao risco de contaminação para moradores e marisqueiras que dependem da região.

Embora o Inema tenha detectado as substâncias nas proximidades da área de operação do terminal, a empresa reitera que está à disposição para auxiliar na identificação da origem das infiltrações e espera a conclusão das análises técnicas para o esclarecimento definitivo dos fatos.

Leia a nota na íntegra

“O Terminal Itapuã vem a público manifestar-se sobre o aparecimento de substâncias no sedimento arenoso da Praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, situação que tem sido objeto de fiscalização pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (INEMA) e de avaliação por equipe de especialistas contratada pela empresa.

Desde as primeiras urgências, o Terminal Itapuã colocou-se inteiramente à disposição do órgão ambiental, prestando esclarecimentos para auxiliar nas investigações, sendo de seu maior interesse que o órgão identifique a origem das urgências e adote as providências cabíveis perante o responsável.   

Conforme cuidadoso levantamento das cargas movimentadas, o qual foi solicitado e encaminhado ao órgão ambiental, as substâncias de coloração azul e amarela encontradas no sedimento arenoso possuem aspecto incompatível com aquelas movimentadas pelo atual operador, a empresa Terminal Itapuã.

As circunstâncias do caso apontam para a necessidade de investigação sobre o histórico operacional no terminal, sendo fundamental que a antiga proprietária e operadora do Terminal apresente os relatórios de investigação ambiental elaborados por sua empresa de consultoria, os quais, até o presente momento, não foram disponibilizados para o Terminal Itapuã. 

O Terminal opera regularmente, em estrita conformidade com a legislação ambiental e com suas licenças vigentes, contando com certificações internacionais ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001 e Ecovadis Prata, que atestam seus padrões de gestão ambiental, de qualidade e de segurança. 

O Terminal Itapuã reafirma seu compromisso com a transparência e o diálogo institucional, e aguarda a conclusão das análises técnicas para o adequado esclarecimento dos fatos.”

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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