Publicado em 28/01/2026 às 18h47.

Vereadora critica retomada de passarela exclusiva para camarotes no Carnaval

Aladilce afirmou que a autorização da passarela pela prefeitura reforça práticas de segregação social

Redação
Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

A vereadora Aladilce Souza (PCdoB), líder da bancada de oposição na Câmara Municipal de Salvador, criticou nesta quarta-feira (28) a montagem de uma passarela que liga camarotes privados ao Morro do Ipiranga, no circuito Barra-Ondina, para uso exclusivo de foliões e artistas contratados. A estrutura, apelidada pela parlamentar de “Passarela do Apartheid”, havia sido utilizada no Carnaval de 2025 e voltou a ser instalada para a festa de 2026.

Durante vistoria nas estruturas do Carnaval, Aladilce afirmou que a autorização da passarela pela prefeitura reforça práticas de segregação social. “É um retrato vergonhoso da política racista de segregação que é praticada em Salvador. É lamentável que a prefeitura autorize um equipamento desse”, disse.

Segundo a vereadora, além dos impactos ambientais e paisagísticos, a estrutura contribui para a exclusão no uso do espaço público. Para ela, a passarela “naturaliza a ideia de uma cidade excludente e feita para poucos, indo na contramão do que o nosso carnaval é (ou deveria ser): um espaço público, onde todas as pessoas dividem o mesmo espaço”.

Ao observar a montagem da estrutura às vésperas do Carnaval de 2026, Aladilce voltou a protestar contra a iniciativa. “No Carnaval de 2025 o prefeito Bruno Reis autorizou a construção de uma passarela saindo aqui do Morro do Ipiranga para o Camarote Glamour para ser usado pelos foliões que não gostam de se misturar com o povo. Nós estamos agora às vésperas do Carnaval de 2026 e olha novamente a passarela do Apartheid armada”, afirmou.

A parlamentar disse ainda que, na sua avaliação, a gestão municipal contribui para o aprofundamento das desigualdades sociais. “O prefeito está incentivando a segregação. Uma cidade que já é segregada, aliás, a gestão do Bruno Reis tem se caracterizado por aprofundar desigualdades”, declarou.

Aladilce citou medidas adotadas pela prefeitura que, segundo ela, penalizam a população de baixa renda, ao mesmo tempo em que beneficiam setores econômicos específicos. “Ele tira dos pobres para dar para os ricos, aumenta a tarifa de ônibus, de IPTU e taxa de lixo e ao mesmo tempo concede subsídios milionários para empresários do transporte, reduz pelo terceiro ano consecutivo o imposto de ISS para os camarotes”, disse.

Para a vereadora, a permanência da passarela simboliza um modelo de cidade excludente. “Em vez de promover a redução da desigualdade, aumenta a desigualdade social. Portanto, nós não podemos naturalizar esse símbolo do apartheid, essa passarela é uma vergonha para o nosso carnaval”, concluiu.

 

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