Publicado em 04/04/2026 às 15h25.

VLT de Salvador terá 29 paradas sem catracas e aposta em validadores dentro dos vagões

Modelo inspirado em sistemas europeus prevê pagamento voluntário e fiscalização móvel

Lula Bonfim
Foto: Joá Souza/GOVBA

 

O novo sistema de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Salvador, promete trazer uma mudança de paradigma no comportamento do passageiro soteropolitano: 29 das 35 paradas previstas no projeto não terão catracas de cobrança. Segundo as diretrizes do edital de licitação da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), o modelo adotará o conceito de “fluxo livre”, onde o usuário adentra o vagão e valida seu cartão ou celular espontaneamente em máquinas instaladas dentro dos próprios trens.

Para equilibrar a ausência de barreiras físicas e garantir a sustentabilidade financeira do modal, o governo estadual estuda a aplicação de multas pesadas, que podem variar entre R$ 300 e R$ 500, para quem for flagrado pela fiscalização sem o comprovante de pagamento. O sistema busca agilizar o embarque e modernizar a estética das estações, reservando os bloqueios tarifários tradicionais apenas para pontos de grande densidade populacional ou de integração com o metrô e ônibus.

Inspirado em modelo europeu

A ausência de catracas é uma característica marcante dos sistemas de “trams” em cidades como Paris e Berlim, e já é aplicada no Brasil no VLT Carioca (Rio de Janeiro) e no VLT de Santos (SP).

Em Salvador, a tendência é que a validação ocorra exclusivamente dentro dos vagões. A responsabilidade pela conferência do pagamento recairá sobre a empresa concessionária, que manterá agentes circulando entre os passageiros para verificar, por meio de dispositivos eletrônicos, se o cartão foi aproximado do validador.

 

Primeiro trem terá várias cores; os demais serão prateado com faixas tricolores | Foto: Joá Souza / GOVBA

 

No Rio de Janeiro, a taxa de evasão (passageiros que não pagam) gira em torno de 14%. Para evitar que o índice soteropolitano comprometa o sistema, a proposta de multa na Bahia é superior à praticada na capital fluminense, onde os valores variam de R$ 170 a R$ 255.

A ideia é que o valor da sanção em Salvador seja alto o suficiente para desencorajar a tentativa de fraude, transformando a fiscalização em um instrumento de educação e controle rigoroso.

Onde as catracas serão mantidas

Apesar da aposta na modernização, o edital do VLT reconhece que certas localidades exigem o “bloqueio tarifário” físico. A CTB justifica a manutenção das catracas em seis paradas específicas com base em dois critérios principais: densidade populacional e integração intermodal.

 

Foto: Divulgação

 

As paradas que contarão com bloqueios físicos são:

Subúrbio Ferroviário: Calçada, Periperi, Paripe e Ilha de São João.
Integração: Águas Claras e Bairro da Paz.

Nesses locais, o volume de passageiros esperado é significativamente maior, o que exige um controle de fluxo mais rígido para evitar superlotação nas plataformas. Além disso, as estações de Águas Claras e Bairro da Paz funcionam como interfaces diretas com o Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas (SMSL) e terminais de ônibus, necessitando de barreiras físicas para organizar a transferência gratuita (ou integrada) entre os diferentes meios de transporte.

Lula Bonfim
Editor do bahia.ba. Jornalista com experiência na cobertura de política, com passagens pelo Bahia Notícias, BNews e A Tarde. Apaixonado por futebol, por cultura e pela Bahia.

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