Publicado em 07/04/2020 às 19h20.

Brasileiros percorrem de 72 km a 155 km para ter atendimento médico

Levantamento é resultado da pesquisa Regic, que teve parte dos resultados antecipada para ajudar Ministério da Saúde e Fiocruz

Redação
Foto: Elói Corrêa/GOVBA
Foto: Elói Corrêa/GOVBA

 

Dados divulgados nesta terça-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os cidadãos precisam percorrer longos percursos para chegar a uma unidade de saúde, seja para atendimentos de baixa como de alta complexidade. O levantamento é resultado da pesquisa Regiões de Influência das Cidades (Regic), que teve parte dos resultados antecipada para ajudar Ministério da Saúde e Fundação Oswaldo Cruz com informações sobre deslocamento da população em busca de serviços de saúde.

Em todo o país, as pessoas precisam percorrer em média 72 quilômetros para conseguir atendimento de baixa e média complexidade, nos quais estão inseridos consultas médicas e odontológicas, exames clínicos, serviços ortopédicos e radiológicos, fisioterapia e pequenas cirurgias. Destaque para Manaus (AM), cidade que recebe pacientes que tiveram que percorrer as maiores distâncias, numa média de 418 km para atendimento dessa categoria. Em Santa Catarina, os deslocamentos são abaixo de 40 km.

“Se uma cidade tem um hospital regional, isso significa que ele não atende somente pacientes do município onde está localizado, mas também das cidades vizinhas. Os dados dessa pesquisa ajudam a dimensionar o impacto disso na saúde. Daí a importância de sabermos como as pessoas se deslocam no território das cidades”, explica Claudio Stenner, o coordenador de Geografia do IBGE.

Já a busca por tratamentos de alta complexidade leva as pessoas a percorrerem mais que o dobro da distância mencionada na categoria anterior: 155 quilômetros para encontrar tratamentos que envolvem internação, cirurgias, ressonância magnética, tomografia e tratamentos contra câncer. Os estados de Roraima e Amazonas apresentaram as maiores médias de deslocamento nesse caso, de 471 e 462 km, respectivamente. A menor média de deslocamento ocorreu no estado do Rio de Janeiro, com 67 km percorridos.

Os dados podem ajudar na elaboração de políticas públicas, planos e logística para enfrentar a Covid-19.

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