Chega de pessimismo!
O negativo tem muito mais peso que o positivo, por isso devemos estar atentos para focar muito mais em experiências positivas do que negativas

Focar nos estímulos negativos do meio ambiente teve um papel preponderante na história da humanidade. Estar consciente das possíveis ameaças, permitiu ao homem primitivo enfrentá-las com efetividade, assegurando assim a sua sobrevivência e a perpetuação da espécie. Apesar da proliferação de notícias ruins ultimamente no nosso país, é muito importante entendermos que os tempos agora são outros: para sair da crise, é preciso desenvolver o otimismo e pensar positivo!
De acordo com Bárbara Fredrickson, uma das autoras mais reconhecidas mundialmente por suas pesquisas no campo das emoções, diferente da negatividade, que reduz e limita a nossa capacidade de resposta, as emoções positivas nos ajudam a resolver problemas relacionados com nosso crescimento e nosso desenvolvimento.
Em outras palavras, em vez de proporcionar benefícios imediatos, as emoções positivas nos permitem acumular recursos internos duradouros, que indiretamente nos preparam para lidar com as adversidades do futuro, ou seja, elas ampliam nossa atenção, nos permitem ser mais criativos e expandem a nossa capacidade de visão. Dessa maneira, descobrimos novas habilidades sociais, que nos ajudam a manter a nossa felicidade e o nosso bem-estar.
Durante muitos anos, a psicologia dedicou-se a estudar as emoções “sérias”, que eram merecedoras de importância e respeito, como o medo, a raiva, a angústia e a tristeza. Até muito pouco tempo atrás, as emoções positivas eram vistas como frívolas pelo meio científico, que as entendia como mecanismo para compensar as emoções “verdadeiras”, quer dizer, as negativas.
Bárbara Fredrickson é uma das pioneiras no estudo das emoções positivas. Ela concentrou seus estudos em 10 emoções positivas, para as quais utiliza o termo “positividade” e tem demostrado científicamente que são as emoções que a gente experimenta com mais frequência em nossa vida cotidiana. Estas emoções são as seguintes: alegria, gratidão, serenidade, interesse, esperança, orgulho, diversão, inspiração, admiração e amor.
Se as emoções positivas oferecem tantos benefícios, porque parece que o pessimismo é o nosso estado emocional natural? De acordo con Rick Hanson, famoso escritor americano da psicologia positiva, as emoções positivas são mais difusas e mais sutis que as negativas e o nosso cérebro está construído para focar no negativo. Dessa forma, ainda que existam mais emoções positivas que negativas, nosso cérebro escolhe mais facilmente ficar com as negativas.
Otimismo é ver as coisas pelo lado bom
e acreditar que vai haver uma solução favorável
Esse fenômeno é conhecido como “tendência humana para a negatividade”, uma propensão que nos leva a aprender, colocar atenção e usar muito mais a informação negativa, do que a positiva. Em outras palavras, nosso cérebro está construído para ser muito mais sensível ao negativo. De manera inconsciente, colocamos mais atenção e damos maior peso a essas experiências.
Esse fenômeno é um legado dos nossos ancestrais. O homem primitivo pôs atenção nos aspectos negativos do ambiente, porque assim era necessário, uma vez que os aspectos positivos nao lhe ofereciam informação para sobreviver. Por outro lado, colocar atenção no negativo e rastrear constantemente o ambiente, buscando as ameaças que o acercavam, lhe permitiu afrontar o perigo e assegurar sua sobrevivência. As respostas às ameaças e ao desagradável são mais rápidas, mais fortes e mais difíceis de inibir que as respostas às oportunidades e ao prazer.
Considerando que o negativo tem muito mais peso que o positivo por diversas razões, devemos estar atentos para focar muito mais em experiências positivas do que negativas. De acordo com Barbara Fredrickson, para poder florescer e ser feliz, uma pessoa deve experimentar ao menos três emoções positivas, por cada emoção negativa.
Sem dúvida alguma, experimentar emoções positivas tem muitos benefícios, entretanto existem muitos desafios a superar para poder experimentá-las. Por outro lado, sabemos que somos capazes de direcionar nossa atenção e decidir onde a queremos colocar. Como disse Rick Hanson, “a atenção é como a combinação entre o foco de luz e o aspirador de pó: ilumina o que há ao redor e logo suga tudo para o cérebro da pessoa”.
Tudo isso é muito importante, principalmente porque a ciência já comprovou que nós construímos a nossa realidade em grande parte, a partir do lugar onde colocamos a nossa atenção. Aprender a focar no que mais nos beneficia requer muito esforço, entretanto, quanto mais nos concentrarmos no positivo, mais fácil será.
Estamos vivendo um momento tão negativo em nosso país, que todo esse cenário aumenta muito a nossa responsabilidade. Devemos lutar pelo que é certo sim, mas também devemos cultivar as coisas positivas, as oportunidades, a alegria, o amor, a esperança. Afinal de contas, o otimismo nada mais é do que a disposição para ver as coisas pelo lado bom e acreditar que vai haver uma solução favorável, mesmo nas condições mais difíceis. Esse processo de transformação está custando muito caro para todos nós brasileiros, mas pelo menos está garantindo uma faxina na nossa maneira de fazer política.
E isso é muito bom!
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