Medicamento que previne contaminação por HIV com dose semestral é aprovado nos EUA
Remédio é considerado inovador por ser injetável e demandar apenas duas aplicações ao ano para garantir uma eficácia de quase 100%

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou nesta semana o medicamento lenacapavir, vendido sob o nome comercial de ‘Yeztugo’, pela farmacêutica Gilead Sciences, para venda como um esquema de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), ou seja, para prevenir a infecção pelo vírus.
Segundo matéria do jornal O Globo, o medicamento é considerado inovador por ser injetável e demandar apenas duas aplicações ao ano para garantir uma eficácia de quase 100%. O atual esquema de PrEP, disponível inclusive no Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil desde 2017, envolve o uso comprimidos orais diariamente.
O esquema também reduz o risco de uma infecção a quase zero, porém o fato de ser um tratamento diário tem representado um entrave para a adesão.
O lenacapavir recebeu o sinal verde nos EUA para adultos e adolescentes com o único requisito de pesarem pelo menos 35 kg. Daniel O’Day, presidente e diretor Executivo da Gilead Sciences, descreveu a aprovação como “um dia histórico na luta de décadas contra o HIV” e disse que o medicamento “oferece uma oportunidade muito real de ajudar a acabar com a epidemia”.
Já o professor de Doenças Infecciosas da Universidade Emory e co-diretor do Centro de Pesquisa para Aids da instituição, nos EUA, Carlos del Rio, afirmou que o lenacapavir pode ser uma “poderosa ferramenta” para “aumentar a adesão e a persistência da PrEP”.
“Uma injeção duas vezes por ano poderia resolver muito bem as principais barreiras, como a adesão e o estigma que os indivíduos em regimes de dosagem de PrEP mais frequentes, especialmente a PrEP oral diária, podem enfrentar. Também sabemos que, em pesquisas, muitas pessoas que precisam ou querem a PrEP preferem uma dosagem menos frequente”, complementou, em nota.
A aprovação do medicamento também foi celebrada por grupos que trabalham com HIV e Aids. Winnie Byanyima, diretora executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/AIDS (Unaids) e subsecretária-geral da ONU, disse se tratar de “um momento de grande avanço” fruto de um investimento de décadas.
Enquanto a organização internacional de prevenção ao HIV AVAC relembrou que o Ienacapavir já havia sido nomeado como “descoberta do ano” pela renomada revista científica “Science” em 2024, quando os primeiros dados de eficácia começaram a ser publicados. Mitchell Warren, diretor executivo da AVAC, disse que o remédio tem de fato “o potencial para transformar a resposta ao HIV”.
Apesar do aval, o Ienacapavir já era vendido, mas com o nome comercial de Sunlenca e aprovado apenas para o tratamento de casos de HIV multirresistentes, não como uma estratégia de prevenção para pessoas não infectadas. Porém, devido aos desafios na PrEP oral, pesquisadores têm buscado alternativas de profilaxias injetáveis de longa duração e decidiram testar o medicamento.
Até então, o medicamento considerado mais avançado na oferta de uma prevenção duradoura era o cabotegravir, da GSK, que necessita de aplicação a cada dois meses. Ele chegou a ser aprovado pela Anvisa em junho do ano passado, mas o elevado preço é um desafio para o acesso. Agora, o lenacapavir surge como uma estratégia promissora por promover a alta eficácia, mas com somente uma aplicação a cada semestre.
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