Publicado em 06/12/2015 às 07h56.

Propósito de vida traz felicidade?

Descobrir o propósito da vida nada mais é do que entender melhor quem você é, o que pode oferecer a si mesmo e ao mundo

Adriana Prado
Imagem ilustrativa (Imagem: Site Espaço Eureka
Imagem ilustrativa (Imagem: Site Espaço Eureka

 

Semana passada li um artigo na internet que me inquietou muito. Um jovem rapaz explicava porque parou de buscar o seu propósito de vida e incentivava outras pessoas a fazerem o mesmo. Depois de ter sido atormentado muitos anos por essa questão e pela real incapacidade de encontrar respostas, ele chegou à conclusão de que essa busca só estava lhe trazendo angústia e ansiedade.

O que ele veio fazer nesse mundo? Será que deveria fazer isso pelo resto da vida? Já tinha mudado tanto nessa vida que nem sabia mais quem era. Como poderia ter um propósito hoje, se amanhã já seria outra pessoa? Esse jovem decidiu simplificar as coisas e apenas ficar bem com suas escolhas. Passou então a responder uma única pergunta: Eu tenho vontade de fazer isso hoje? Essa resposta passou a ser suficiente para ele. Concluiu dizendo que depois que parou de buscar um propósito maior ou de tentar escrever sua missão de vida em uma única frase, a vida dele ficou melhor.

Com essa inquietude, decidi escrever sobre a relação que existe entre propósito de vida e felicidade. O ponto de partida foi o conceito de “Felicidade” definido por uma das maiores investigadoras da Psicologia Positiva, Dra Sonja Lyuborminsky, da Universidade da Califórnia: “Felicidade é uma experiência de prazer e plenitude, combinada com um sentimento profundo de significado e propósito”.

A ciência comprovou, depois de muitas investigações, que ter um propósito de vida é um dos fatores chaves da felicidade humana. Mas isso não significa que devemos sair por aí procurando um propósito ou que precisamos ter esse propósito definido em uma única frase. Trata-se de algo simples, e ao mesmo tempo profundo, que está dentro da gente, consciente ou inconscientemente. Não requer conhecimentos rebuscados, nem nível cultural elevado, mas conhecer o nosso propósito, amplia o sentido da existência e aumenta a nossa felicidade.

Na realidade, essa busca é mais simples do que parece. O sentido da vida é a pura expressão da nossa totalidade. É aquilo que nos move e nos faz evoluir como ser humano. Não é algo estático, único e indivisível, que não acompanha as mudanças que acontecem. O propósito varia de acordo com a época da vida e não compreende apenas aspectos profissionais ou comunitários. Em um momento pode ser lutar por uma causa, em outro amar alguém, conhecer o mundo, seguir uma profissão, crescer na carreira, cuidar dos filhos ou ajudar uma comunidade. Às vezes, pode ser tudo isso junto, ou uma dessas causas em maior intensidade. Segundo Victor Frankl, médico psiquiatra austríaco, fundador da escola de logoterapia, “o sentido da existência altera-se de pessoa para pessoa e de um momento para o outro”.

São muitas as variáveis que interferem na percepção de um sentido para a vida, como gênero, idade, nível educacional, profissão, religiosidade e história de vida. Esse sentido tende a estar mais relacionado com fatores externos, para pessoas que estão vivendo a primeira metade da vida, como: oportunidades sociais, trabalho, renda, lazer e segurança. A partir da segunda metade da vida, vencidas as questões básicas de sobrevivência e conquistados os objetivos materiais, o sentido da vida se volta mais para fatores internos como: história de vida, legado, reconhecimento, realização pessoal, religiosidade e espiritualidade.

Paradoxalmente, apesar de estar dentro da gente, o verdadeiro sentido da vida deve ser descoberto no mundo, ou seja, o ser humano está voltado sempre para algo ou alguém diferente de si mesmo, seja algo a realizar ou outro ser humano a encontrar. Victor Frankl, em seu livro “Em busca de sentido”, afirmou: “Quanto mais a pessoa esquecer de si mesma, dedicando-se a servir a uma causa ou a amar outra pessoa, mais humana será e mais se realizará”.

O ser humano é um projeto individual, aberto e infinito. Refletir sobre aquilo que nos move, nos torna mais capazes de sermos autores da nossa própria existência. Somente através do autoconhecimento contínuo podemos ser quem realmente somos, deixando de lado aquilo que os outros esperam da gente. Isso é que nos traz felicidade. Trata-se de um processo complexo, que exige dedicação e muita coragem, mas que no final é poderoso e libertador.

Podemos começar com algumas perguntas: Que coisas marcaram a minha vida de uma maneira especial? Que conexões importantes posso fazer a partir desses marcadores? Quais são meus maiores talentos? O que me faz perder a noção do tempo? Onde me sinto verdadeiramente útil? Que temas me inquietam ou me apaixonam? Como posso contribuir para um mundo melhor? Existe alguém ou alguma coisa pela qual sou até capaz de morrer? Ou de não desistir de viver? O que importa de verdade não é saber tudo, nem encontrar todas as respostas, mas querer saber, estar aberto…

Descobrir o propósito da vida nada mais é do que entender melhor quem você é, o que pode oferecer a si mesmo e ao mundo. Muita gente não sabe o que deseja da vida simplesmente porque nunca pensou sobre o assunto.

Pare um pouco pra refletir, dê um tempo pra você e seja muito, muito feliz!

 

ADRIANA-PRADO-2Adriana Prado tem 25 anos de experiência em Recursos Humanos. Atualmente mora no México, é mestranda em Liderança Positiva e consultora da “The Edge Group”, empresa equatoriana pioneira em programas de crescimento pessoal e organizacional na América Latina, através da aplicação das descobertas da Psicologia Positiva, a Ciência da Felicidade

Adriana Prado

Adriana Prado tem 25 anos de experiência em Recursos Humanos. Atualmente mora em São Paulo, é mestranda em Liderança Positiva e consultora da “The Edge Group”, empresa equatoriana pioneira em programas de crescimento pessoal e organizacional na América Latina, através da aplicação das descobertas da Psicologia Positiva, a Ciência da Felicidade.

PUBLICIDADE