Publicado em 22/03/2017 às 19h05.

Isidório admite que não consegue adequar Fundação Dr. Jesus ao ECA

Com menores em tratamento na sua instituição, deputado afirmou que não tem como seguir normas exigidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente

Rodrigo Aguiar
Entrevista - Isidorio7 - 12-08-2016
Foto: Izis Moacyr / bahia.ba

 

Alvo de uma investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) relativa ao tratamento dado a adolescentes na Fundação Dr. Jesus, o deputado estadual Pastor Sargento Isidório (PDT), dono da instituição, afirmou nesta quarta-feira (22) que não tem como se adequar às normas exigidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“É coisa demais. Era bom que existisse. O Ministério Público foi lá, olhou e pediu para melhor isso e aquilo. Eu não tenho como fazer. Primeiro, porque eu nem recebo nada pelos menores que tenho lá. Faço trabalho voluntário com eles. É como um abrigo de velho. Eu tenho lá uns velhos, mas não é um abrigo”, disse o parlamentar.

O deputado voltou a negar a prática de maus tratos no local e classificou as ameaças que costuma fazer aos internos como “doutrina teatral”. “Para não deixar ninguém lá com arma ou usando droga, eu digo que mato, engarguelo, mordo, não sei o quê. Tudo isso é um teatro. Lá tem pau, porrete, tudo pintado de amarelo. Quem está lá? Minha esposa, meus filhos, minhas netas”, justificou.

Isidório ainda ironizou as regras exigidas pelo MP. “Toda vez que a gente tenta fazer o trabalho com eles querem… Por exemplo, eu já tive alojamento dos menores. Aí era toda hora colchão queimado, beliche desmontado, eles mascarados. É esperma na cara uns dos outros, é querer passar esperma em funcionário. Faca no pescoço de técnicos. Não tem quem controle”, afirmou.

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