Bloco Afro Didá desfila na avenida com tema sobre afrofuturismo
O desfile foi composto por três alas representando as três etapas do tempo (passado, presente e futuro)

Se você pesquisar em um site de busca na internet palavra “algoritmo”, virá com a seguinte definição: “uma sequência de raciocínios, instruções ou operações para alcançar um objetivo”. Para o bloco feminino Didá, essa palavra tem total relação com as tecnologias ancestrais dos povos negros.
Com o tema “Afrofuturismo, o Algoritmo dos Búzios” no Carnaval 2023, o bloco buscou trazer uma perspectiva de um movimento que é um dos mais renovadores da expressão e presença da cultura negra nas artes, na ciência e na filosofia. “Com esse tema nossa ideia é fazer um jogo entre o passado, presente e futuro. Antigamente, o algoritmo da nossa ancestralidade era o jogo de búzios, diferente do algoritmo da internet, que dá tudo pronto”, disse Carla Souza, umas das diretoras do bloco que em mais um ano está sendo apoiado pelo Programa Carnaval Ouro Negro 2023.
Com fantasias com elementos dourados, búzios e cores vibrantes, as integrantes do bloco vieram para a avenida com representações de guerreiras. Carla celebra o retorno do Carnaval e fala que a Didá vive, este ano, um novo momento. “É muito emocionante estar volta as ruas depois de uma pandemia. Depois de tudo que passamos, é gratificante. Podemos dizer que este ano estamos renascendo com novas propostas, novas pessoas, com tudo de bom.”, comemora.
O desfile foi composto por três alas representando as três etapas do tempo (passado, presente e futuro). A primeira ala, ‘Futuro do Passado’ foi composto por referências às tecnologias ancestrais, a cosmovisão africana e a relação com o Meio Ambiente. A ala ‘Futuro do Presente’ mostrou o lado de duas moedas, o afrootimismo, que exaltou os grandes movimentos e correntes e afirmação da negritude baiana e o afropessimismo,que trouxe denúncias das grandes ameaças físicas e simbólicas aos negros brasileiros. A ala ‘Futuro do Futuro’ trouxe uma grande viagem no tempo exaltando as várias expressões do afrofuturismo, entre elas representações dos filmes de ficção Mulher Rei e Pantera Negra.
A Associação Educativa e Cultural Didá é uma instituição cultural de Salvador, que mantém a Didá, uma banda musical de percussão exclusivamente feminina. Foi fundada em 1993, pelo saudoso Neguinho do Samba, também fundador do samba reggae. Ele foi um dos homenageados no desfile, e teve uma bandeira asteada com os dizeres “Viva Neguinho do Samba”.
Mulheres negras em cena
A Banda Didá carrega como principal bandeira de luta o empoderamento da mulher negra e através da associação, realiza diversos projetos que atendem meninas e mulheres das periferias de Salvador, impactando a vida dessas famílias.
Lucila Laura, 25 anos, aluna e integrante da banda, se consolidou e cresceu dentro dos projetos da instituição e hoje é educadora, em um projeto que atende crianças. “Minha mãe me matriculou no projeto aos 12 anos de idade e até então eu não sabia nada de percussão, mas já estava envolvida com as artes, fazendo dança. Aprendi e me desenvolvi dentro do Projeto Sòdomo – que é voltado para crianças – e hoje sou educadora do mesmo projeto que me formei e integrante da banda Didá, tocando marcação e repique”, relembra a educadora.
Carnaval da Cultura
É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. E é também a preservação do patrimônio cultural, com o apoio ao carnaval tradicional dos mascarados de Maragojipe. O Carnaval da Cultura é promovido pelo Governo do Estado, Carnaval 2023 – “Um Carnaval em Cada Esquina”.
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