Liliana Peixinho é jornalista, ativista social, integrante de diversos grupos de luta e defesa de direitos humanos. Fundadora e coordenadora de mídias livres como: Reaja – Rede Ativista de Jornalismo e Ambiente, Mídia Orgânica, O Outro no Eu, Catadora de Sonhos, Movimento AMA – Amigos do Meio Ambiente, RAMA -Rede de Articulação e Mobilização em Comunicação.
Publicado em 29/05/2016 às 07h00.
Solenidade e desemprego
Em plena festa de colação de grau, formandos publicam selfies chamando a atenção para a falta de emprego
Liliana Peixinho

A família madruga para chegar ao trabalho em transporte desumano, não consegue acessar recursos de financiamento público universitário, passa o maior sufoco para tentar pagar contas básicas de luz, condomínio, água, supermercado, engana o estômago com porcarias, em correria na rua, faz o maior sacrifício para pagar as mensalidades da solenidade de formatura do filho, como um sonho, e no dia da festa de gala, os formandos publicam selfies nas redes sociais cuja legenda ironiza a disputa de espaço, na foto, como recém-formados em cenário de desemprego.
Ao ler uma legenda assim, descrita por um grupo de formandos antenados na realidade social brasileira sobre incapacidade do país em acolher novos profissionais, senti tristeza por, depois de anos acompanhando histórias de vidas dedicadas a sonhos, vê-las agora, interrompidas pela onda de desemprego crescente. Se para um jovem, de 23, 24 anos, é uma realização a formatura como símbolo de perspectiva para novos horizontes de vida, espaço para aplicação dos conhecimentos adquiridos em dedicação aos estudos; o trabalho, o emprego, a remuneração pelo desempenho da atividade, deveria ser garantia, como recompensa aos anos de dedicação e investimentos financeiros na formação profissional. Mas o sonho virou pesadelo.
Exatamente porque é entre os jovens que a escalada de desemprego faz o maior estrago, que a tristeza aumenta. E a gravidade, conforme análises de especialistas, é que esse cenário pode deixar, em alguns anos, um grupo de pessoas sem trabalho, e sem experiência, para conquistar espaços adequados às suas qualificações e aspirações. Assim vemos por ai fisioterapeutas que tentam vender roupas; economistas em atendimentos call center; psicólogos em disputas de espaços em táxis, administradores que empreendem em food-trucker, e um sem-fim de desafios em arranjos criativos sem nenhuma garantia de sustentação num mercado abalado, sem credibilidade.
A taxa de desocupação entre jovens de 18 a 24 anos foi a que mais cresceu entre os grupos etários
Embora o desemprego entre os jovens sempre apresentem taxas mais altas que em outros grupos, o que surpreende é a velocidade apresentada em cenários mais recentes. Informação dá conta que “O salto na taxa de desemprego nessa faixa etária foi de 4,7 pontos percentuais em relação a 2014, enquanto a média geral da população das grandes metrópoles foi de dois pontos percentuais”. A taxa de desocupação entre jovens de 18 a 24 anos, segundo dados do IBGE, ficou em 16,8 em 2015, e foi a que mais cresceu entre os grupos etários. Dados preocupantes num cenário político econômico que brada por mudanças e faz é tempo. Essa garotada sedenta por justiça social e vontade em trabalhar e contribuir para um Brasil justo, não merece entrar para a história como uma “geração perdida”.
Hellen, Icaro, Juliana, Bianca,Thais, Milena, Veronica, Harrisson e tantos outros jovens profissionais, olha, o mundo, quem sabe, dará boas voltas e em nome dos esforços despendidos por cada um possamos ter esperanças para as atuações que vocês querem e precisam realizar. Saibam que vocês nâo estão sozinhos e muitos profissionais qualificados, experientes, super graduados, estão por aí, diversificando atividades pra driblar os efeitos de uma crise que. tenham certeza, cada um de nós teve a sua contribuição ao escolher, acreditar e votar em promessas de representantes não cumpridores de suas palavras. E que a realidade nos sirva de exemplo para ver que rumos queremos dar a gerações que, como a de vocês, não se sintam perdidas, sem representação nos ambientes de decisões do país.
Liliana Peixinho é jornalista, ativista, fundadora da Rede de Ativismo em Jornalismo e Ambiente (Reaja), movimento Amigos do Meio Ambiente (AMA), Mídia Orgânica, e outras mídias alternativas. Especializada em Jornalismo Científico e Tecnológico.
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