Publicado em 09/07/2024 às 15h37.

Ambipar: o que explica salto de 127% das ações do grupo em duas semanas?

Mesmo algo de desconfiança por parte dos analistas de mercado, ações tiveram disparada recentemente

Redação
Reprodução: Redes sociais

 

As ações da Ambipar (AMBP3) saltaram mais de 127%, levando a muitos questionamentos sobre o que explica o movimento dos papéis da empresa focada em captação de resíduos e emergências ambientais após uma forte queda antes desse período. De R$ 8,42 em 17 de junho para R$ 19,25 no fechamento da última segunda-feira (8). Em pouco mais de 2 semanas, de acordo com informações do portal InfoMoney.

No início de junho, mais precisamente no dia 3, as ações saltaram 17%, na mesma sessão em que a companhia divulgou novas projeções financeiras. Contudo, o movimento vai além disso, conforme aponta a Nord Research.

Para Bruce Barbosa, analista da casa, AMBP3 passa por um movimento de short squeeze na Bolsa, que ocorre quando existe uma demanda muito forte por aluguel de um ativo contra uma baixa oferta, ou se o limite de ações para aluguel já tiver batido o limiar permitido pela Bolsa. O short squeeze é caracterizado pelo fechamento repentino de posições vendidas que gera um efeito em cadeia, resultando na disparada de preço de um determinado ativo – mas que nem sempre reflete fundamentos positivos para a ação.

Em relatório do início do mês, a equipe de análise quantitativa da XP já havia apontado ter visto um significativo aumento da porcentagem de taxa de vendidos e o aumento da taxa de aluguel dos ativos AMBP3.

No caso da Ambipar, essa avaliação de queda dos preços aconteceu, segundo aponta a Nord, levando em conta os problemas de execução da companhia.

O analista ressalta que a empresa cresceu adquirindo empresas menores e criando um “ecossistema” de serviços. Dada a sua experiência em regulação, risco e meio ambiente, a Ambipar funciona como um consultor para que as empresas gerenciem seus riscos (ambientais e de segurança). “A estratégia e os objetivos fazem todo o sentido, mas o problema foi a execução. Em um momento de juros altíssimos no Brasil, as ‘sinergias’ entre as empresas adquiridas demoraram bastante a aparecer”, disse.

Devido à dívida elevada e à rentabilidade baixa, os lucros de Ambipar caíram, assim como as ações, mas que repentinamente reverteram o movimento em junho.

A Nord nota também que durante o período de alta houve montantes de compras fortes em Ambipar. “Se somarmos o volume (superconcentrado) de compra no Santander, Itaú e Banco Master, teremos, aproximadamente, 10% da empresa”, pontuou.

Como AMBP3 foi uma das empresas mais shorteadas (com posição vendida) na Bolsa brasileira e o volume de compras fez as ações subirem forte, elas puxaram a demanda pelo aluguel (para montar a posição short) e o custo do aluguel saiu de 9% para 79% ao ano.

Com uma visão positiva para a empresa em si, mas vendo a execução dela como deixando a desejar, a Nord apontou não estar posicionada no papel, inclusive tirando a pouca posição que tinha nela no início do movimento de alta.

“Após dois guidances (projeções) de redução de dívida que não funcionaram (eram fracos), a empresa anunciou um novo contrato com a Heineken. Contudo, este contrato é pequeno, apenas 15% da receita de Environment (metade da receita total) em três anos”, avalia a casa.

No início do mês, logo após a divulgação de novo guidance, o Itaú (BBA) manteve recomendação market perform (desempenho igual à média do mercado, equivalente a neutro), com base na probabilidade de um ambiente macroeconômico desafiador no futuro, potencialmente suavizando o desempenho da empresa no curto prazo e aumentando as despesas financeiras, bem como o fato de outras empresas do setor de Serviços Ambientais e Utilities serem negociadas com avaliações atraentes.

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