Estado lidera população quilombola no Brasil e enfrenta desafios sociais
Censo 2022 revela que o estado abriga quase 400 mil quilombolas, com maior presença urbana do país e fortes desigualdades em saneamento e alfabetização

O Censo Demográfico de 2022 revelou que a Bahia é o estado com a maior população quilombola do Brasil, com 397.502 pessoas. Pouco mais da metade dessas pessoas (52,0% ou 206.825) vivia em áreas rurais, enquanto 48,0% (190.677) estavam em áreas urbanas. A Bahia possuía a maior população quilombola urbana do país, embora, no meio rural, ficasse atrás do Maranhão.
A proporção de quilombolas na zona rural da Bahia (52,0%) era significativamente maior do que a da população geral do estado (23,3%), mas ainda inferior à média nacional de quilombolas em áreas rurais (61,7%). Estados como Piauí (87,9%), Amazonas (84,9%) e Maranhão (79,7%) apresentaram os maiores percentuais. Por outro lado, Distrito Federal (3,0%), Rondônia (18,4%) e Goiás (27,0%) tinham as menores proporções.
Perfil demográfico: população jovem e desigualdade de gênero
Na Bahia, a população quilombola, tanto urbana quanto rural, é ligeiramente mais masculina do que a população geral. A razão de sexo entre quilombolas é de 97,9 homens para cada 100 mulheres, enquanto, na população total do estado, é de 93,6.
Nas áreas rurais, esse índice chega a 103,1, embora ainda abaixo da razão de sexo da população rural como um todo (108,4). Já nas áreas urbanas, a razão de sexo entre quilombolas (92,6) supera a da população geral urbana (89,5).
Esse maior número de homens está relacionado ao fato de a população quilombola ser, em média, mais jovem. O índice de envelhecimento entre quilombolas na Bahia é de 60,8 idosos (60 anos ou mais) para cada 100 pessoas de até 14 anos, enquanto, na população geral do estado, é de 75,4. Entre os quilombolas rurais, esse índice é ainda menor: 59,9 — bem abaixo dos 85,5 registrados para a população rural total.
A idade mediana dos quilombolas baianos também é inferior à da população geral: 32 anos contra 35 anos. Entre os quilombolas urbanos, a mediana é de 33 anos (frente a 34 da população urbana geral), e entre os rurais, 31 anos (contra 35 da população rural baiana).
Analfabetismo: desigualdade persiste, especialmente nas áreas rurais
A taxa de analfabetismo entre a população quilombola baiana com 15 anos ou mais de idade é de 18,3%, superior aos 12,6% registrados na população em geral. Essa diferença é mais acentuada nas áreas urbanas: entre os quilombolas urbanos, 13,7% não sabem ler nem escrever (20.719 pessoas), enquanto, na população urbana geral, a taxa é de 9,0%.
Nas áreas rurais, o analfabetismo entre quilombolas atinge 22,6% (35.893 pessoas), um pouco abaixo da taxa da população rural geral (24,5%). Ainda assim, revela a persistência de desigualdades no acesso à educação básica.
Saneamento básico é um desafio para a população quilombola
De acordo com os critérios do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), quase metade dos domicílios quilombolas urbanos na Bahia (47,5% ou 37.537 residências) não tinha acesso adequado simultâneo a abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo em 2022.
Essa proporção é quase o dobro da registrada para o total de domicílios urbanos do estado, dos quais 25,4% apresentavam alguma inadequação. Já nas áreas rurais, a situação é ainda mais crítica: 94,4% dos domicílios quilombolas (66.388) sofriam com precariedade em pelo menos um dos três serviços. Esse índice é semelhante ao da população rural baiana como um todo (93,4%).
Mais notícias
-
Bahia10h56 de 11/05/2026
Três homens são presos por tráfico de drogas em Camaçari
Guarnições da Rondesp realizam flagrante no bairro Jardim Limoeiro; ocorrência foi registrada na 18ª Delegacia Territorial.
-
Bahia09h14 de 11/05/2026
Dengue: seis cidades baianas vivem situação de epidemia
Outras 43 cidades permanecem em nível de alerta para a doença
-
Bahia06h47 de 11/05/2026
Polícia da Bahia captura seis líderes de facções na Bolívia em 2026
Forças Estaduais e Federais, além da Interpol e da Polícia Boliviana atuam integrados no combate ao crime organizado
-
Bahia22h03 de 10/05/2026
Feirense que trabalhou como flanelinha conquista PhD em universidade da Austrália
Allan Ribeiro Pimenta concluiu doutorado em Engenharia de Transportes e Urbanismo após trajetória marcada por dificuldades financeiras e incentivo à educação pública
-
Bahia21h39 de 10/05/2026
Governo Jerônimo reserva 25% da verba do São João para forró e artistas locais
Estado investirá quase R$ 147 milhões nos festejos juninos de 2026 e exigirá cota mínima para o forró tradicional
-
Bahia21h23 de 10/05/2026
MPF cobra proteção a ambientalistas após ataque armado na Serra da Chapadinha
Órgão pediu reforço na segurança, investigação do atentado e prioridade na criação de unidade de conservação em Itaetê
-
Bahia20h20 de 10/05/2026
Cruz das Almas recebe carreta educativa da PRF durante ações do Maio Amarelo
Projeto itinerante promoverá palestras e exibição de vídeos sobre segurança no trânsito nos dias 11 e 12
-
Bahia16h28 de 10/05/2026
Com apoio da Interpol, SSP conclui extradição de líder de facção preso na Bolívia
Casal foi preso na cidade de Santa Cruz de La Sierra
-
Bahia14h44 de 10/05/2026
Chefe de facção detido na Bolívia vivia em casa de luxo avaliada em R$ 6 milhões
Residência fica localizada no bairro Equipetrol, área nobre da cidade boliviana
-
Bahia14h19 de 10/05/2026
Líder de facção preso na Bolívia enviava armas e drogas para BA, SP, RJ e PE
Criminoso e a esposa, que também tinha mandado de prisão, permanecem detidos no país vizinho










