Publicado em 14/08/2025 às 18h40.

De ‘vítima’ a acusado: caso Kauê Furquim expõe histórico do Corinthians

Meses antes de polêmica com o Bahia, Timão foi excluído do MCFFB por acusação de aliciamento

Rodrigo Fernandes
Foto: Fernando Bueno/Corinthians

 

O clima esquentou entre Corinthians e Bahia nesta quinta-feira (14), depois que o clube paulista acusou o Tricolor de ter aliciado o jovem atacante Kauê Furquim, de 16 anos, contratado após o pagamento da multa rescisória de R$ 14 milhões.

O episódio gerou indignação no Parque São Jorge, que anunciou o rompimento de relações institucionais com o Bahia e o Grupo City, SAF controladora do clube baiano.

A situação, no entanto, resgata um capítulo recente e polêmico da própria trajetória corintiana no futebol de base.

Em janeiro deste ano, o Timão foi expulso do MCFFB (Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro) justamente por acusação de aliciamento de um atleta sub-14 do Palmeiras.

A denúncia partiu do próprio Verdão e contou com o apoio de outros integrantes da entidade.

A expulsão do Movimento

O MCFFB reúne gestores das principais categorias de base do país e atua como fiscalizador de negociações de jovens jogadores.

Entre seus membros, há um pacto para impedir que atletas de 10 a 14 anos mudem de clube, já que não existe legislação nacional que regulamente essa faixa etária. O objetivo é proteger a formação e evitar disputas predatórias.

Segundo fontes ouvidas à época, o Corinthians foi abordado pela entidade para devolver o atleta palmeirense, mas se recusou. O ato foi interpretado como quebra de acordo e motivou a exclusão imediata do Timão.

O episódio também gerou reação de outros clubes, que ameaçaram boicotar a Copa Votorantim sub-15 caso o Alvinegro paulista fosse mantido na disputa.

O Movimento justificou a decisão afirmando que buscava preservar a ética, a integridade e o espírito esportivo das competições de base.

Entre as equipes que manifestaram repúdio estavam Palmeiras, São Paulo, Santos, Cruzeiro, Fortaleza, Sport e o próprio Bahia.

Nota oficial do Movimento dos Clubes Formadores

Prezados Senhores,

Venho, por meio deste, informar que os Clubes Formadores participantes da Copa Votorantim decidiram que não irão participar da competição caso a equipe do Sport Club Corinthians Paulista não se retire da mesma.

São eles: Palmeiras/SP, América/MG, Santos/SP, Juventude/RS, Goiás/GO, Cruzeiro/MG, Sport/PE, Fortaleza/CE e Bahia/BA.

A Ferroviária/SP, Guarani/SP e São Paulo/SP também concordam com o posicionamento, mas ainda não confirmaram por escrito.

A decisão foi tomada com base na atitude do Corinthians em aliciar um atleta menor de idade e sem contrato de formação vigente da Sociedade Esportiva Palmeiras, por não ter na época 14 anos completos; e visa garantir a integridade, ética e o espírito esportivo da competição.

Solicitamos que a Comissão Organizadora analise e tome as devidas providências para resolver esta situação o mais breve possível. Aguardamos uma resposta sobre as medidas que serão adotadas.

Atenciosamente,

DIRETORIA DO MCFFB (Movimento de Clubes Formadores do Futebol Brasileiro).

Nota oficial do Corinthians na época

O Sport Club Corinthians Paulista, por meio de sua diretoria de futebol de base, esclarece que foi surpreendido pela decisão arbitrária que resultou na exclusão do clube do Movimento dos Clubes Formadores (MCF).

O Corinthians não reconhece os motivos alegados para essa exclusão e refuta categoricamente qualquer acusação de aliciamento de atleta.

O Clube ressalta que segue rigorosamente o código de ética do MCF e respeita todos os seus integrantes. Em 2024, atletas provenientes de clubes membros do movimento foram contratados, sempre em conformidade com os procedimentos estabelecidos para garantir relações éticas e transparentes entre as agremiações.

O paralelo com o caso Kauê Furquim

Sete meses depois do episódio com o Palmeiras, o Corinthians se viu no lado oposto da história.

A transferência de Kauê Furquim para o Bahia foi feita dentro das regras previstas pela Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998), com o pagamento da multa nacional, mas irritou profundamente a diretoria paulista, que classificou a conduta como “aliciamento ilícito e imoral”.

O caso adiciona tensão ao confronto entre as equipes, que se enfrentam neste sábado (16), às 21h, na Neo Química Arena, pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Rodrigo Fernandes
Jornalista, repórter e produtor de conteúdo. Com experiência em redação e marketing digital, faz cobertura de Esporte no bahia.ba. Antes disso, foi editor do In Magazine – Portal iG e repórter do Portal M! – Muita Informação.

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