Brasileiros buscam cidadania do Benin em movimento de reconexão com raízes africanas
Documento poderá ser concedido a qualquer pessoa maior de 18 anos; saiba como

Um número crescente de brasileiros, em especial afrodescendentes, tem buscado a cidadania do Benin, país localizado na África Ocidental e que, durante o período colonial, foi um dos principais pontos de partida de africanos escravizados rumo ao Brasil. O movimento ganhou força após o governo beninense anunciar a intenção de conceder nacionalidade à diáspora africana espalhada pelo mundo, em um gesto de reparação histórica.
A proposta foi apresentada pelo presidente do Benin, Patrice Talon, durante uma visita oficial ao Brasil. Segundo ele, a concessão da cidadania tem como objetivo fortalecer os laços culturais e históricos entre o continente africano e os descendentes de povos que foram vítimas da escravidão. O projeto, atualmente em debate no parlamento beninense, vem sendo tratado como um marco de reconciliação e identidade.
Conexão histórica
Entre os séculos XVI e XIX, o Brasil foi o principal destino de africanos escravizados no mundo, recebendo cerca de 4,9 milhões de pessoas, grande parte delas desembarcou em Salvador, Recife e Rio de Janeiro. Naquele período, o atual Benin era conhecido como Reino do Daomé, um dos principais centros do tráfico de escravos do continente africano.
A relação histórica com a Bahia é especialmente profunda: comunidades afro-brasileiras mantêm até hoje tradições religiosas, linguísticas e culturais herdadas do antigo Daomé. Essa ligação tem motivado muitos descendentes a buscarem no Benin não apenas uma segunda cidadania, mas um reencontro com suas origens.
Atualmente, o Benin é um pequeno país de cerca de 14 milhões de habitantes e 112 mil km², que conquistou sua independência da França em 1960. Apesar de apresentar um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH 0,515) do mundo, o país tem registrado crescimento econômico constante, com aumento de 7,5% do PIB em 2024 e estabilidade política reconhecida — é considerado o 22º país mais pacífico da África Subsaariana, segundo o Global Peace Index 2024.
Reparação e identidade
Para estudiosos e ativistas, o gesto do governo beninense tem um valor simbólico e histórico inestimável. Ao reconhecer oficialmente a diáspora africana e oferecer a cidadania a seus descendentes, o país se coloca como protagonista de um movimento global de reconexão com o passado e de fortalecimento da identidade negra.
Embora o governo do Benin não espere que milhões de brasileiros solicitem o novo passaporte africano, o interesse já é expressivo e representa, mais do que uma questão legal, um reencontro com as raízes e com a história.
Como conseguir
Pela nova legislação, a cidadania poderá ser concedida a qualquer pessoa maior de 18 anos, que não possua outra nacionalidade africana e consiga comprovar ascendência subsaariana, ou seja, descendência de povos originários da África localizada ao sul do deserto do Saara. Não é necessário comprovar ligação direta com o Benin, mas sim com qualquer região de onde partiram africanos traficados.
O processo de solicitação pode ser feito inteiramente online, através da plataforma oficial My Afro Origins, com taxa de 100 dólares. De acordo com o governo beninense, o procedimento leva cerca de três meses para ser concluído. A comprovação da ascendência pode ser feita por meio de documentos oficiais, registros históricos ou teste de DNA.
Mais notícias
-
Especial15h00 de 07/05/2026
Para além de ‘Dominguinho’, relembre grandes encontros da música brasileira
Dos 'Doces Bárbaros' aos 'Tribalistas', projetos coletivos ajudaram a redefinir os rumos da MPB
-
Especial13h50 de 01/05/2026
Dia do Trabalho: entenda por que o feriado é em 1º de maio
Data tem origem em greve histórica e ganhou significado político ao longo dos anos
-
Especial16h34 de 28/04/2026
Do TikTok à Globo, novelas verticais viram febre e mudam forma de consumir dramaturgia
Formato criado para o celular cresce, movimenta bilhões e já impacta até a TV brasileira
-
Especial08h54 de 21/04/2026
Tiradentes e a Bahia: como a luta pela independência ecoou no estado
Movimento liderado por Joaquim José da Silva Xavier influenciou revoltas baianas e ajudou a moldar o desejo de liberdade no Brasil colonial
-
Especial11h00 de 19/04/2026
‘Nosso corpo-território sofre’: Tukumã Pataxó alerta para escalada de violência contra [...]
Pré-candidato a deputado federal pelo PSOL fala ao bahia.ba sobre conflitos de terras e criminalização de caciques
-
Especial14h30 de 17/04/2026
‘Off the Wall’: Relembre passo de Michael Jackson rumo à realeza do pop
Às vésperas da estreia da cinebiografia, álbum de 1979 foi marco definitivo na transformação do artista
-
Especial14h06 de 08/04/2026
Escola de Tempo Integral gera impacto imediato na rede estadual da Bahia
Da segurança alimentar ao novo currículo, entenda o que pensam estudantes, professores e gestores sobre tempo ampliado para estudar
-
Especial15h30 de 06/04/2026
Axé, candomblé e MPB: Trajetória histórica que molda a música brasileira
Polêmica reacende debate sobre a presença ancestral de elementos afro-religiosos na formação nacional
-
Especial16h56 de 01/04/2026
MP aciona instituições em Salvador por venda casada de materiais escolares; saiba como se proteger
Colégios São José, Bernoulli e Colmeia tornaram-se alvos de ações civis públicas após investigações da Codecon
-
Especial14h14 de 18/03/2026
Repórter do bahia.ba é homenageada pela Câmara de Salvador com Prêmio Mulher Notável
Carolina Papa atua nas editorias de política e entretenimento










