OPINIÃO: Quando o planejamento estadual supera a estética municipal
Artigo escrito pelo secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares

A inauguração da nova Rodoviária de Águas Claras pelo governo de Jerônimo Rodrigues e do PT representa muito mais do que a entrega de um terminal moderno; é, na verdade, um ato de libertação para o coração geográfico de Salvador neste janeiro de 2026. Por décadas, a região do Iguatemi e da Avenida ACM carregou o fardo de ser o principal nó viário da cidade, sufocada por um fluxo que misturava o tráfego local com o transporte pesado de longa distância. O que o cidadão testemunha agora é uma mudança de paradigma: a saída de uma era de improvisos para a entrada em um modelo de mobilidade urbana inteligente e estruturante.
Eu nasci e cresci nesta cidade e conheço cada ladeira desse mapa. Filho de uma trabalhadora, morei de aluguel em diversos bairros: nos Barris e na Barra; no Imbuí e no Garcia; no Rio Vermelho e no Engenho Velho de Brotas; no Costa Azul e nas Mercês. Por onde passei, a sensação era a mesma: parecia que tudo em Salvador precisava passar pela Rodoviária. E lá a vida parava, lá tudo atrasava, lá a cidade engarrafava. Sentir isso na pele por anos me permite dizer com clareza: o que o Governo de Jerônimo Rodrigues e do PT estão fazendo agora é permitir que uma nova Salvador finalmente nasça.
O contraste entre as esferas de gestão nunca foi tão evidente. Enquanto o prefeito Bruno Reis (União Brasil) se apressa em inaugurar viadutos que funcionam como monumentos ao curto prazo — intervenções que muitas vezes parecem girar sobre si mesmas, subindo e descendo no mesmo lugar sem criar rotas alternativas reais —, o governo de Jerônimo Rodrigues e do PT executa uma cirurgia de alta complexidade na logística da capital. Enquanto o grupo político de Bruno Reis e ACM Neto se dedica à estética da superfície e à política do meio-fio pintado para “inglês ver”, a gestão estadual entrega uma obra de tamanho G, capaz de redesenhar a rotina de quem vive e trabalha em Salvador.
Os números desta transformação validam o que a memória do soteropolitano já sabe. A nova rodoviária retira do miolo comercial da cidade cerca de mil ônibus por dia. São veículos pesados que deixam de disputar cada metro de asfalto com os carros de passeio e o transporte urbano. Falamos do remanejamento de 363 linhas intermunicipais e 55 interestaduais, que agora acessam a capital diretamente pela BR-324. Esse movimento devolve a previsibilidade ao tempo de viagem do trabalhador, removendo também o caos satélite de quase 4.600 viagens diárias de táxis e aplicativos que sufocavam o Iguatemi.
A integração direta com o metrô em Águas Claras é o fecho de ouro de um projeto que pensa a cidade como um organismo vivo, rompendo finalmente com os vícios do velho modelo carlista de governar Salvador, personificado por ACM Neto e seu sucessor aliado, que historicamente privilegiou a maquiagem em detrimento da estrutura. O que se vê, portanto, é a vitória do planejamento sobre a narrativa. A gestão de Bruno Reis, assim como de seu antecessor, tenta desesperadamente vender pequenas manobras de engenharia como se fossem as responsáveis pela melhora do trânsito, mas a verdade é soberana: o desafogo que sentimos agora é fruto da coragem do governo petista de investir em infraestrutura pesada.
Salvador agora respira com novos pulmões. A nova rodoviária é o marco de uma gestão que não trabalha para a próxima foto nas redes sociais, mas para as próximas gerações. Ao substituir o gargalo pelo fluxo e o improviso pela integração, o modelo petista de se governar prova que o progresso real se faz com obras que têm a grandeza da nossa história e a urgência do nosso futuro. Nossa cidade, finalmente, voltou a andar.
*Éden Valadares é secretário nacional de Comunicação do PT
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