Publicado em 06/02/2026 às 12h00.

Prefeitura de Porto Seguro concedeu alvará para obra irregular ligada ao dono do Banco Master

Documento da prefeitura de Jânio Natal (PL) ignora falta de aval do Iphan e dívidas de IPTU do imóvel

Raquel Franco
Fotos: Divulgação/Prefeitura de Porto Seguro; Reprodução/Redes sociais

 

A Prefeitura de Porto Seguro, chefiada por Jânio Natal (PL), concedeu um alvará de reforma para a construção de um beach club na Praia de Araçaípe, em Arraial d’Ajuda, mesmo diante de graves irregularidades apontadas por órgãos federais. 

Segundo reportagem de Thiago Domenici, da Agência Pública, a autorização municipal foi apresentada por Genaro Campos, que se intitulou responsável pelo empreendimento, como prova de legalidade. O documento, emitido no dia 09 de julho de 2024 e que segundo ele tem validade de dois anos, autoriza intervenções em um imóvel que, na prática, teve sua vegetação nativa totalmente suprimida.

A investigação revela que a propriedade pertence à Milo Investimentos S.A., cujos diretores são Henrique Moura Vorcaro e Natalia Bueno Vorcaro Zettel, pai e irmã do banqueiro Daniel Vorcaro. 

A autorização municipal confronta a própria legislação da cidade, que proíbe a emissão de licenças para imóveis com débitos tributários, já que a propriedade acumula dívidas de IPTU desde 2022. Além disso, por estar inserida no Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Porto Seguro, a obra exigiria o aval prévio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o que o instituto nega ter concedido.

Em vídeo publicado no domingo (1º), o ativista ambiental Tadeu Prosdocimi denunciou a continuidade dos trabalhos e a conivência da gestão municipal. “Essa obra que já começou errada desde o princípio com a conivência e o conhecimento da prefeitura, essa obra que fez um crime ambiental com o apoio da prefeitura foi embargada, mas só de mentirinha”, afirmou Prosdocimi. 

O influenciador criticou a celeridade para a inauguração. “Não se espante se em poucos dias você ver funcionando neste local uma barraca de praia na maior cara de pau, que cometeu um crime ambiental com o apoio da prefeitura de Porto Seguro”, disse.

O Iphan confirmou a “integral supressão” da restinga e reiterou que, sem o aval federal, qualquer autorização municipal perde a validade. 

Assista ao vídeo

A Prefeitura de Porto Seguro foi procurada para esclarecer a emissão do alvará e a falta de fiscalização, mas não respondeu aos questionamentos até o momento desta publicação.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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