Família de Vorcaro, do Banco Master, faz obra irregular em beach club no sul da Bahia

    Empreendimento ligado a Daniel Vorcaro teria suprimido vegetação de restinga

    Foto: Reprodução/Instagram @eutadeueu

    O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) constatou irregularidades na obra de um beach club na Praia de Araçaípe, em Arraial d’Ajuda, Porto Seguro, em uma área de aproximadamente 6 mil metros quadrados na Estrada da Balsa. 

    Segundo informações reveladas pela reportagem de Thiago Domenici, da Agência Pública, publicada nesta segunda-feira (19),  a empresa responsável é a Milo Investimentos S.A, que tem como diretores Henrique Moura Vorcaro e Natalia Bueno Vorcaro Zettel, respectivamente pai e irmã de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso em novembro de 2025. 

    A família é alvo de investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude financeira e desvio de recursos para o patrimônio pessoal dos envolvidos.

    Técnicos do Iphan identificaram, em vistoria realizada no início de janeiro, a “integral supressão” de vegetação de restinga sem a devida autorização prévia. A restinga é considerada Área de Preservação Permanente (APP) pelo Código Florestal.

    O Iphan informou que a intervenção ocorre em uma área tombada integrante do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Porto Seguro. O órgão destacou que já havia identificado o estágio avançado das obras em novembro do ano passado e que, na fiscalização mais recente, confirmou a construção de piscinas e estruturas de madeira em fase de finalização. Devido ao dano ao patrimônio paisagístico e à falta de licenças federais, fontes ligadas à fiscalização avaliam que a regularização do imóvel é improvável.

    Além da questão ambiental e patrimonial, o imóvel apresenta débitos de IPTU junto ao município desde 2022, o que, de acordo com a legislação local, impediria a concessão de licenças municipais. O Iphan solicitou informações à Prefeitura de Porto Seguro e à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para apurar se a construção também avança sobre terrenos de marinha.

    Um representante que se identificou Genaro Campos, locatário da área, afirmou à Agência Pública que a intervenção é uma reforma de uma casa antiga e que possui alvará municipal. Ele alegou que a vegetação removida seria de espécies invasoras e não nativas. A prefeitura de Porto Seguro não se manifestou sobre o caso.

    Veja vídeo de ativista que denunciou o caso nas redes sociais