Publicado em 17/02/2026 às 23h48.

Mais de 140 toneladas de recicláveis são recolhidas no Carnaval de Salvador

Iniciativa é coordenada pelo governo da Bahia, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia

Redação
Foto: Wuiga Rubini/GOVBA

 

Enquanto os trios elétricos encerram a programação oficial do Carnaval nesta terça-feira (17), o trabalho de triagem de resíduos segue em ritmo intenso nas centrais de apoio do projeto “Meu Corre Decente”. Desde o início da festa, mais de 140 toneladas de materiais recicláveis foram retiradas das ruas da capital baiana.

A iniciativa é coordenada pelo governo da Bahia, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), com apoio de outras pastas e de cooperativas de catadores.

O alumínio lidera em valor de mercado, impulsionado pelo alto índice de reaproveitamento. Plásticos e garrafas PET, embora com menor valor unitário, garantem volume constante de coleta e ampliam a renda dos trabalhadores envolvidos na cadeia da reciclagem.

Política ambiental e inclusão produtiva

Segundo o fiscal da Sema Guido Brasileiro, o projeto vai além da limpeza urbana e se consolida como política pública ambiental e social.

“O Meu Corre Decente atua em duas frentes fundamentais: na mitigação ambiental, ao evitar que toneladas de resíduos sigam para aterros, reduzindo emissões de gases de efeito estufa, e na adaptação social, ao dar visibilidade, apoio e dignidade a trabalhadores que historicamente ficaram à margem”, afirma.

A fiscal do Inema Eliesandra dos Santos, que atua no ponto de apoio instalado em Cajazeiras, destaca o impacto do projeto na formalização e organização de catadores autônomos.

“Até ontem, no final do meu expediente, já tinham 57 pessoas cadastradas aqui. São catadores da própria região, muitos que ainda não tinham vínculo com cooperativa e passaram a conhecer esse trabalho agora”, relata.

De acordo com ela, o movimento se intensifica no período noturno, quando a festa atinge maior público. A instalação da central em Cajazeiras, novidade nesta edição, exigiu mobilização das equipes para ampliar a divulgação entre os trabalhadores.

Fiscalização e monitoramento

Além da coleta, as equipes acompanham a pesagem dos materiais, o pagamento imediato aos catadores e a distribuição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

“Observamos se a pesagem está correta, se os pagamentos estão sendo feitos na hora, se os EPIs foram entregues e se estão sendo utilizados. Também sistematizamos os dados de coleta por tipo de material, o que permite avaliar o impacto real do projeto”, afirma a assessora jurídica da Procuradoria da Sema, Daiana de Jesus.

O balanço parcial indica que, enquanto a festa movimenta milhões na economia formal, a reciclagem consolida-se como fonte de renda direta para trabalhadores informais e como instrumento de política ambiental em larga escala durante o Carnaval.

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