Publicado em 16/04/2026 às 10h38.

Ligue 180: Bahia é um dos estados do Nordeste que mais utilizou o serviço em 2025

No total, foram registradas 155.111 denúncias de violência contra mulheres em 2025, alta de 17,4%

Redação
Foto: jw.org

Dados divulgados pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, do Ministério das Mulheres nesta quarta-feira (15) apontam que o Nordeste está utilizando mais o serviço. A nível nacional, o serviço registrou 1.088.900 atendimentos, quase 3 mil por dia, o que representa um aumento de 45% no comparativo anual.

No total, foram registradas 155.111 denúncias de violência contra mulheres, alta de 17,4% na mesma base comparativa, o que equivale a uma média diária de 425.

Apesar de a região sudeste concentrar quase metade do total de denúncias do país (47,4%), o Nordeste tem mostrado um crescimento na utilização do serviço, sendo responsável por 18,2% das ocorrências. Bahia e Pernambuco são os estados que lideram o número de utilizações do serviço.

Os dados apontam que o ambiente doméstico é o principal cenário das ocorrências de agressão. Considerado o total de 155.111 denúncias, quase 70% ocorreram no âmbito doméstico, sendo 40,76% dos casos na casa da vítima e 29,58% na casa compartilhada com o suspeito. A casa do agressor é apontada em 5,39% (8.356) dos registros do Ligue 180.

As outras 4.587 denúncias (2,96%) foram de mulheres que sofreram violência em vias públicas. O ambiente virtual conta com 2,96% dos registros de violências contra as mulheres.

O levantamento mostra que, em 2025, dois terços (66,3% ou 102.770) das denúncias foram feitas pela própria vítima e outras 26,2 mil (16,9%) notificações chegaram de forma anônima.

Queixas de terceiros como familiares, amigos e vizinhos da vítima somaram 16,8% (26.033). Outros 53 denunciantes foram o próprio agressor.

O perfil das vítimas

Mulheres negras (pretas e partas) somam mais de 43,16% dos episódios de violência relatados, sendo que 51.907 (33,46%) denúncias dizem respeito a mulheres pardas e 15.046 denúncias de mulheres pretas (9,70%).

As mulheres brancas correspondem a cerca de um terço (32,54%) das denúncias computadas no Ligue 180, com o total de 50.474 registros. Mulheres amarelas aparecem em 807 registros (0,52%) e as indígenas em 488 ocorrências (0,31%).

Em 36.389 casos (23,45%), não houve declaração sobre raça/cor, o que mostra um problema de subnotificação.

No que tange a idade, os dados apontam que o pico de vulnerabilidade é entre 26 e 44 anos. O recorte concentra 57.673 denúncias, o equivalente a 37,19% de todas as denúncias registradas.

A principal incidência é do grupo de vítimas entre 40 e 44 anos, com 57.673 denúncias, o equivalente a 37,19% de todas as denúncias registradas.

Logo em seguida está a faixa etária de 35 a 39 anos, com 14.594 casos (9,41%) de violências; o segmento de 30 a 34 anos, com 14.173 denúncias (9,14%); e imediatamente após, estão as vítimas com idades de 26 a 29 anos com 13.789 ocorrências (8,89%).

A variação do percentual ao longo de quase duas décadas de vida das mulheres (de 8,89% a 9,75%), indica um patamar quase inalterado de mulheres atingidas por violências.

Tipo de Violência

A violência psicológica ocupa o topo da lista, respondendo por quase metade dos registros, com mais de 339 mil casos (49,9%). Em seguida, aparece a violência física, com mais de 104 mil ocorrências (15,3%).

A violência patrimonial aparece em 36.938 casos (5,4%); a violência sexual atingiu 20.534 registros (3,0%), sendo 8.172 episódios tipificados como importunação sexual (1,2%); e 2.621 ocorrências de sequestro ou cárcere privado, representando 0,4% do total de violações reportadas.

A violência vicária, que foi destaque recentemente após a sanção da Lei 15.384/2026, teve 7.064 denúncias de violência vicária, o que representa 4,55% do total de 155.111 denúncias.

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