Publicado em 28/04/2026 às 12h36.

UFBA terá primeira eleição direta em 80 anos para Reitoria; veja candidatos e regras

Campanha para próximo reitorado da Universidade Federal da Bahia iniciou nesta segunda (27)

Raquel Franco
Foto: Reprodução/UFBA

 

Pela primeira vez na história da Universidade Federal da Bahia (UFBA) o reitorado será escolhido pela comunidade universitária por meio de eleições diretas. Após a sanção da Lei nº 15.367 no dia 30 de março de 2026 pelo presidente Lula (PT), a universidade instituiu as regras para o pleito, que já havia iniciado seus trâmites.

Inclusive, os então pré-candidatos e representantes dos docentes ouvidos pelo bahia.ba não apostavam que haveria tempo hábil do projeto passar pelo Senado Federal e entrar em vigor já para a votação deste ano.

Nesta segunda-feira (27) a campanha começou oficialmente. Com base na nova legislação, foram homologadas quatro chapas que definem as candidaturas a reitor e vice-reitor. São elas:

Chapa 1: Penildon Silva Filho para reitor e Bárbara Coelho Neves para vice-reitora;

Chapa 2: João Carlos Salles Pires da Silva para reitor e Jamile Borges da Silva para vice-reitora;

Chapa 3: Fernando Costa da Conceição para reitor e Célia Oliveira de Jesus Sacramento para vice-reitora;

Chapa 4: Salete Maria da Silva para reitora e Menandro Celso de Castro Ramos para vice-reitor

Curiosidade

Segundos de diferença no envio dos e-mails que formalizaram as inscrições definiram os números das três chapas, segundo a ata divulgada pela comissão eleitoral. No dia 22 de abril a inscrição da chapa 1, encabeçada por Penildon, foi enviada às 08:00:16 e da chapa 2, do ex-reitor João Carlos Salles, às 08:01:02 resultando em uma diferença de 46 segundos. Já a inscrição para a chapa 3 foi recebida às 08:01:05, apenas 3 segundos depois.

A inscrição para a chapa 4, da professora Salete Maria, foi enviada no último dia permitido, 24 de abril.

Como funcionam as eleições diretas?

A primeira eleição direta para a Reitoria da UFBA para o quadriênio 2026-2030 representa um marco institucional, fundamentado na nova Lei Federal nº 15.367/2026 e regulamentado internamente pela Resolução nº 03/2026 do Conselho Superior Universitário (CONSUNI). 

Este novo modelo substitui o sistema anterior e estabelece que o reitor e o vice-reitor sejam escolhidos por meio de eleição direta por chapas pela comunidade acadêmica.

Quem participa e o peso do voto

A comunidade votante é composta por três segmentos: docentes e servidores técnico-administrativos em exercício de cargo efetivo e discentes com matrícula ativa em cursos regulares.  

Um ponto central definido pela UFBA é o peso paritário de um terço para cada um desses segmentos no cálculo final dos votos, garantindo equilíbrio entre professores, técnicos e estudantes. O voto será secreto, pessoal e exclusivamente presencial, realizado em cédula de papel.

Como será o processo eleitoral

O processo é coordenado por uma comissão eleitoral multissetorial, composta por representantes dos docentes, técnicos, estudantes, do sindicato dos professores universitários da Bahia, a APUB, do sindicato dos servidores técnico-administrativos, a ASSUFBA, além do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e da administração central.

A votação ocorrerá nos dias 20 e 21 de maio de 2026, das 08h às 17h. Nas unidades com atividades noturnas a votação segue até às 22h. Exclusivamente no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES), a urna abre às 6h.

A resolução do CONSUNI que define as regras para as cédulas e urnas no processo eleitoral visa garantir a organização e segurança do voto. As urnas serão segmentadas para cada setor da comunidade universitária, dividida entre docentes, técnicos e discentes. As cédulas oficiais serão em três cores distintas, uma para cada segmento. 

A apuração será iniciada imediatamente após o encerramento da votação. Caso haja empate no escore final, vencerá a chapa cujo candidato a reitor tiver maior tempo de serviço na UFBA ou, persistindo o empate, a maior idade.

Campanha

Durante a campanha, as chapas estão proibidas de utilizar recursos da universidade ou disseminar informações falsas. A resolução eleitoral da universidade proíbe que os candidatos ataquem a honra e a vida pessoal dos concorrentes em qualquer meio de comunicação, incluindo redes sociais. Também não são permitidas pichações ou colagem de cartazes na UFBA, além da utilização de carros de som e equipamentos similares. 

Resultado

Após a divulgação do resultado final e o julgamento de eventuais recursos, o CONSUNI deve homologar a eleição em 15 de junho de 2026. O resultado será então encaminhado ao presidente da República, a quem cabe a nomeação formal dos escolhidos para um mandato de 4 anos, sendo permitida uma única recondução. 

Como o reitor era escolhido antes?

Antes da nova lei, a votação para reitor era meramente simbólica, organizada pelas entidades representativas dos três setores da universidade. O DCE, a APUB e a ASSUFBA coordenavam uma consulta pública, realizada em esquema semelhante ao adotado para a eleição direta deste ano. Porém, os votos depositados não valiam oficialmente. 

Como um resquício da ditadura, que reformou o funcionamento das universidades no período em que esteve vigente, a votação que definia a lista tríplice era realizada por dois conselhos da universidade: o Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE) e o CONSUNI. Cada membro escrevia o nome do candidato escolhido para ser o reitor. Dessa forma, as três pessoas mais votadas nominalmente eram as que compunham a lista tríplice. Essa lista era enviada ao presidente para nomear um reitor e um vice-reitor entre os três candidatos.

Os três setores da universidade se articulavam politicamente para garantir que os votos dos conselheiros refletissem os votos depositados nas urnas da consulta pública. Essa foi uma maneira encontrada para manter princípios de democracia no processo eleitoral, evitando possíveis interventores ou reitores eleitos por conselheiros sem apoio real da comunidade.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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