Publicado em 29/04/2026 às 13h03.

OPINIÃO: Eleição na Bahia será novamente polarizada entre petismo e carlismo

Terceira via não tem força suficiente para influenciar decisivamente no debate público

Lula Bonfim
Foto: Mateus Pereira/GOVBA e Gilberto Jr./Divulgação

 

Saiu a primeira pesquisa Quaest (registro nº BA-03657/2026 no TSE) com as principais chapas majoritárias já definidas. O empate técnico registrado pelo levantamento confirma aquilo que já se anunciava há alguns meses: uma disputa equilibrada entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), maior nome da oposição no estado.

Neto aparece com ligeira vantagem numérica, com 41%, enquanto Jerônimo surge com 37%. Diz-se empate técnico porque, na margem de erro de 3 pontos percentuais (para mais ou para menos), o oposicionista pode variar entre 38% e 44% das intenções de voto, enquanto o petista flutua entre 34% e 40%. A intersecção entre os números de ambos os candidatos configura, estatisticamente, um cenário empatado, indefinido.

Levando os dados da Quaest para os votos válidos, ACM Neto teria 51,9%, contra 46,8% de Jerônimo e 1,3% de Ronaldo Mansur (PSOL), resultado que daria vitória ao União Brasil no primeiro turno. A margem de erro de 3 pontos, porém, se mantém nessa conta, determinando empate técnico entre os dois pré-candidatos.

A pouca relevância eleitoral da terceira via psolista tende a se manter até o fim da campanha, garantindo mais uma disputa concentrada entre as duas principais forças políticas da Bahia durante a Nova República: petistas versus carlistas.

O fato de 74% dos entrevistados ainda não responderem ninguém na pergunta espontânea (13% foram de Jerônimo e 13% de Neto), quando não são apresentados os nomes dos pré-candidatos, mostra que a disputa entre petismo e carlismo segue totalmente aberta.

O PT ainda é muito forte nos interiores da Bahia, sobretudo nos menores municípios. Nesses locais, marcados por um catolicismo popular e pela dependência econômica de verbas estaduais e federais, Jerônimo garante sua aprovação e deve manter a grande vantagem que foi conquistada lá em 2022.

Já ACM Neto tem em Salvador e nas maiores cidades do estado a sua principal força. O trabalho de recuperação da capital realizado por seu grupo político desde 2013 e a maior presença evangélica nos municípios grandes fazem com que o oposicionista tenha uma vitória quase certa nos municípios grandes da Bahia, que desejam uma mudança mais profunda.

Diante desse equilíbrio, a definição vai ficar mesmo para detalhes da campanha. O quanto Jerônimo vai conseguir se vincular ao atual presidente da República (47% do eleitorado quer votar em um aliado de Lula)? O quanto Neto vai conseguir pautar temas delicados (Segurança e Saúde são as maiores preocupações do eleitor)? Quem executar melhor sua estratégia sairá vencedor.

Lula Bonfim
Editor do bahia.ba. Jornalista com experiência na cobertura de política, com passagens pelo Bahia Notícias, BNews e A Tarde. Apaixonado por futebol, por cultura e pela Bahia.

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