Publicado em 04/05/2026 às 12h42.

Regina Miranda estreia exposição sobre memória e ancestralidade na Bahia

Mostra reúne mais de 40 pinturas e propõe reflexão sobre apagamentos históricos e herança afro-diaspórica

João Lucas Dantas
Foto: Divulgação

 

Em sua primeira exposição individual na Bahia, a artista Regina Miranda apresenta obras que têm como ponto de partida sua herança cultural afro-diaspórica. A partir de fotografias de álbuns de família, ela cria imagens atravessadas pela força da ancestralidade, tendo a cor preta como elemento central.

A mostra Estudos para não desaparecer reúne mais de 40 pinturas em guache sobre tela e papel, em A Galeria, Ativa Atelier Livre, no bairro do Rio Vermelho. A abertura acontece no dia 9 de maio, às 17h, com visitação até 19 de junho, sob curadoria dos artistas visuais Lanussi Pasquali e João Gravador.

Na exposição, Regina Miranda mobiliza um arquivo negro marcado por lacunas, silêncios e apagamentos históricos — não com a intenção de restaurá-lo, mas de criar conexões que garantam sua continuidade.

Segundo a artista, álbuns de famílias negras raramente se tornam acervos institucionais e muitas vezes se perdem sem registro. Seu trabalho busca oferecer uma sobrevida a essas imagens e memórias, ao mesmo tempo em que afirma o preto como elemento estruturante: não apenas um detalhe, mas base essencial para a construção de imagem e narrativa.

Os curadores destacam que a pintura da artista transita entre o documento e a imaginação, ativando ausências como forças criativas e reconhecendo aquilo que não pode ser plenamente recuperado. Nesse processo, o preto organiza as composições e sugere imagens que preservam mistérios e camadas de significado, sem necessariamente se tornarem totalmente decifráveis.

Foto: Divulgação

Sobre a artista

Natural de Belo Horizonte, Regina Miranda é artista visual, autora e ilustradora de literatura infantojuvenil. Graduada em Comunicação Social pela PUC Minas, iniciou sua formação artística na Fundação de Arte de Ouro Preto, com ênfase em pintura, gravura e restauração. Desde 2018, vive na Bahia, onde se estabeleceu em Jauá, no litoral norte.

Sua trajetória inclui participação em cursos, festivais e workshops em instituições como o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona e a Escola Superior Artística do Porto, além de exposições no Brasil e no exterior, em espaços como o Museu de Arte Moderna de Belo Horizonte e a Bienal Internacional de Poesia, além da Galeria J. Gomes Alves.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Repórter no portal Bahia Econômica. Atualmente, repórter de Cultura no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

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