RDD transforma amadurecimento em brinde à própria trajetória com ‘Hot Sauce’
Álbum chega para posicionar a identidade do produtor em seu projeto solo, em paralelo com o Àttooxxá

Sem excessos e com o tempero na medida certa para ser saboreado ao máximo, o novo álbum do produtor musical Rafa Dias, o RDD, intitulado “Hot Sauce” é uma bela degustação das influências da música baiana no cenário musical atual.
O álbum chega para posicionar a identidade de RDD em seu projeto solo, em paralelo com o Àttooxxá. O produtor descreve o trabalho para a criação do disco como um “parto”, pontuando a importância da maturação das ideias durante o processo criativo.
“A pandemia veio e eu tive tempo para estudar. O processo com o Àttooxxá veio me amadurecendo. Eu comecei a pensar nos primeiros passos de como seria essa coisa mais solo. O RDD surgiu quando eu estava construindo a minha identidade. Era um desejo meu, de me posicionar como [artista] solo. Às vezes o Àttooxxá não me dava esse espaço e o RDD vem nesse primeiro momento. O Àttooxxá é essa coisa visceral, o RDD é para pista, mais minimal”, descreve RDD.
A conexão com a própria história faz parte também da estética do projeto. O álbum traz visualizers que resgatam memórias da infância de RDD, relembrando a época em que ganhou um pandeiro e um cavaquinho do pai, o que moldaria o seu destino na música.
“Quando eu olho para trás, vejo como a música sempre esteve na minha vida. Desde a feira de Paulo Afonso até hoje. Isso tudo é uma bênção”, relembra.

Disco é um livro
Lançado em 2026, o Hot Sauce possui 13 faixas. Em um cenário em que a música se tornou um produto de “consumo rápido”, em que do todo são aproveitados trechos de 30 segundos, RDD defende a escolha de elaborar um disco. Para ele, um álbum representa um livro em que, muitas vezes, é necessário “reler para entender a mensagem”.
“Eu faço música e arte para ficar. Não faço aquela arte para entreter e durar aquele tempo no paredão. Eu gosto, de fato, de deixar essa arte durar”, RDD em entrevista ao bahia.ba
O principal exemplo da “arte feita para durar” defendida por RDD é a música AYAYA, colaboração com Rincon Sapiência, Karol Conka e Afro. O produtor afirma que a canção foi criada em 2017 e faz parte do seu processo de amadurecimento para a construção da identidade de artista solo.
“Fiz essa música em 2017. Eu tenho certeza que as pessoas vão se conectar independente se essa música foi feita lá atrás. A arte carregada vai marcar. Esse disco sai esse ano, dessa forma, porque, realmente, eu acredito que eu faço essa arte para marcar as pessoas”, destacou.
“Essa coisa de trabalhar de uma forma muito minuciosa eu trago sempre na minha carreira. Gosto de fazer disco, muito mais do que fazer uma música, eu prefiro amarrar um disco. Me lembro de estar em São Paulo e Karol [Conká] me chamando para fazer uma música e eu convencendo ela a fazer um disco. Eu gosto de contar uma história. Música, single e EPs são como se fossem um jornal, um diário. Um disco é um livro, que você tem que abrir e ler, às vezes, tem que reler para entender a mensagem. O disco e a arte tem muito disso”, crava.
Outro destaque é a faixa Bença, responsável por encerrar o álbum. De acordo com RDD, a canção que traz uma mistura entre o funk, samba-reggae e amapiano, era o “tempero que faltava” para completar o disco, representando a “sensação de dever cumprido”.
“Para ter essas 13 faixas aqui eu fiz 50. Bença é uma música que eu fiz nos 45 do segundo tempo porque esse disco que eu estava fazendo era sobre o tempero, aquela coisa que marca. O tempero ele demais não rola e ele de menos fica insosso. Eu sinto essas coisas, [se] eu pesei na mão ali, [se] fui menos aqui”, pontua.
“No meu disco [Bença] faz todo sentido porque eu queria acabar com uma sensação de paz. [Eu] tive até que realinhar a ordem para deixar ela no fim. É uma sensação muito gostosa de dever cumprido, entregando a minha arte da forma mais genuína que eu pude. Eu queria deixar essa mensagem”, afirma.

Sem pressão
Hot Sauce traz ainda participações com artistas nacionais como Rachel Reis e Rael e internacionais: Team Salut e Anik Khan. Sobre os feats, RDD aponta que os convites ocorreram de forma natural.
“Esse disco nasceu de forma natural. [Eu] não procurei nada. Não fui atrás de feat nenhum. [Os convites ocorreram] em sessões que eu tinha de gravação com artistas. Nesse meu primeiro disco eu queria, de fato, que fosse muito leve, que eu não forçasse. Eu acreditava muito que esse disco viria como um presente para a minha vida. Eu estou me plantando na arte, na música baiana há muitos anos. Essa coisa natural, sem forçar, era muito claro na minha mente. É um brinde para tudo que eu tenho feito na minha vida”, revela.
“Realizei um sonho de produzir [Rael] com Céu. Um dia eu estava em São Paulo, fui tocar com o Àttooxxá e ele ficou fissurado. Marcamos de ir para o estúdio e fizemos mais algumas músicas. Eu já tinha um pedaço do verso de ‘Embala’ e ele falou que iria colocar um verso”, disse.

Reflexo
Rafa Dias traz o “Hot Souce” como um reflexo da sua trajetória pessoal. O produtor reconhece os desafios de trabalhar com arte, principalmente na Bahia, mas celebra o caminho percorrido até o lançamento do álbum.
“Eu me sinto abençoado. A gente sabe como é trabalhar com arte no Brasil, aqui na Bahia, fora de um grande eixo de business e dinheiro. É uma bênção poder estruturar minha família. Eu sempre me imaginei vivendo isso, sempre projetei. Nunca deixei nada me enfraquecer nesse caminho”, afirma.
“Para o Àttooxxá surgir, eu fazia de tudo: música, design, produção. Eu não queria que ninguém me barrasse. Sempre acreditei que a gente precisava contar a nossa história. Corri demais, plantei demais. Agora eu quero brindar, celebrar, desfrutar. Já entreguei música de Carnaval, já cheguei à Hot 100 da Billboard. Pouquíssimos brasileiros chegaram lá, e eu tô lá. Esse disco é um brinde por toda essa trajetória”, explica.
Com a chegada do álbum, o artista já começa a pensar nos próximos passos incluindo uma turnê que fuja dos formatos tradicionais.
“Eu não paro de tocar, mas agora quero criar um show específico para o disco. Uma turnê bem amarrada, para que as pessoas escutem e vivam essa experiência. Não é só para ‘bagaçar’ na pista, é para entender o caminho do álbum. Esse projeto pede esse cuidado”, finaliza.

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