Publicado em 18/05/2026 às 12h00.

Africanize e YOLO estreiam turnê nacional de cultura negra em Salvador

Em entrevista ao bahia.ba, idealizadores da Decade Tour contam bastidores dos shows de Ebony e Spark na capital

João Lucas Dantas
Foto: @corujaurbano/ Divulgação

 

A Africanize Party e YOLO Love Party lançam turnê especial de comemoração de dez anos ao redor do Brasil, para celebrar dois momentos simbólicos para a cultura negra contemporânea no país: os 12 anos do portal Africanize e os 10 anos da plataforma cultural Yolo, com estreia marcada para Salvador.

O projeto se apresenta como um marco da última década da música preta no país, reunindo diferentes gerações, estéticas e linguagens que ajudaram a moldar essa trajetória.

A edição de Salvador da Decade Tour acontece no dia 30 de maio, a partir das 21h, no Pátio da Ordem Terceira, no Centro Histórico. A programação reúne a rapper carioca Ebony e o DJ e produtor Spark (pseudônimo artístico de Anderson Talisca) como atrações principais, além dos DJs Tamy Reis, Will Ow, Vitória Nicolau, Hey Jimmy Jay, Umiranda e Shine, artista angolano que traz referências do Afrobeats e das sonoridades africanas contemporâneas.

Com proposta voltada à música preta contemporânea, a festa mistura ritmos como Afrobeats, amapiano, funk, hip hop, R&B, charme, pagode e brasilidades em uma experiência pensada para ocupar diferentes linguagens da cultura urbana. Os ingressos estão à venda a partir de R$ 70, no segundo lote, com opção de área VIP por R$ 150.

“A gente tem uma conexão muito forte com Salvador, a gente sempre tem bastante trabalho e sempre quis levar a nossa energia para a capital baiana, porque não tem lugar melhor para a gente trazer essa conexão. Ter a Africanize junto com a Yolo vai ser de extrema importância, porque a gente quer levar um pouco do que a gente já faz por aqui, nas nossas festas, levar essa energia um pouco para lá, para o pessoal também conhecer os nossos DJs e também a gente conectar com o público de lá”, afirmou Wanessa Fernandes, CEO da Africanize.

“Ano passado foi incrível e foi uma das maiores festas que a gente fez — ou foi a maior festa — porque o público foi totalmente diferente. A gente ficou muito feliz com o resultado do ano passado e não poderia ser melhor estrear essa turnê em Salvador”, acrescentou.

Para Douglas Goulart, um dos idealizadores da Yolo, a escolha por Salvador para abrir os trabalhos veio do entendimento de que era um lugar com o qual eles queriam se conectar.

“A gente sabe que a maior população negra está concentrada em Salvador. Então, quando estávamos fazendo a elaboração artística e até mesmo definindo em quais cidades a gente ia passar, apesar de sermos do Rio de Janeiro, a gente entendeu que Salvador era o lugar que buscávamos. Tivemos experiências muito positivas com o público de Salvador e não tinha como não começar essa comemoração de 10 anos por aí”, refletiu.

Foto: @corujaurbano/ Divulgação

Diferentes sonoridades da música preta contemporânea

Com uma grade diversa de artistas confirmados na line-up da festa, que também irá passar por Rio de Janeiro (06/06), São Paulo (12/06), Belo Horizonte (20/06) e Brasília (27/06), outros nomes como Ajuliacosta, Budah, Mr. Dan, Tasha & Tracie, MC Luanna e MC Carol também irão compor as comemorações.

Celebrando diversos artistas de diferentes vertentes da música negra da atualidade, do rap ao funk, passando pelo Afrobeats e o trabalho dos DJs, a CEO da Africanize afirma que o processo de curadoria foi feito em escuta com o desejo do público.

“A gente queria ter feito mais, mas as agendas das artistas são bem badaladas. Tentamos incluir todo mundo na turnê, mas as meninas estão em um patamar muito alto, estão com vários shows. Então, a gente tentou distribuir o máximo possível. A gente fez realmente da melhor forma, pensando no que o público também fala para a gente, no que o público pede”, pontuou Wanessa.

“Os DJs a gente vai colocar em todas as cidades, porque são DJs residentes nossos, da Africanize e da Yolo. Então, foi mais fácil fazer essa curadoria com os DJs, mas as artistas a gente teve que pensar bem direitinho para conseguir encaixar cada uma em uma cidade”, explicou.

Para Douglas, essa diversidade de sons vem do entendimento de que a população negra tem uma contribuição muito diversa dentro da música brasileira.

“A gente vai do Afrobeats ao samba, do funk ao hip hop. Nós somos múltiplos, temos uma expressão artística e uma construção sonora muito fortes. Então, quando fizemos a curadoria artística, muito pensada também no protagonismo feminino, entendemos que as mulheres estão na cena fomentando isso de diversas formas”, diz um dos idealizadores da Yolo, ao comentar o line-up majoritariamente feminino da festa.

“Nós temos artistas no samba, no rap, no Afrobeats e no funk. Então, reunimos todo esse leque de opções e convidamos essas artistas para que a gente pudesse fazer essa comemoração de 10 anos”, celebrou.

Foto: Divulgação

O protagonismo feminino da Decade Tour

Com uma festa encabeçada por mulheres como as grandes atrações que irão movimentar os espaços, os idealizadores do projeto entendem a visibilidade como uma forma de demonstrar toda a potência do mercado feminino.

“A importância e o posicionamento de todas elas são muito fortes. Acho muito importante dar essa visibilidade para elas em um mercado tão preconceituoso. Toda essa curadoria que a gente fez foi com muito carinho, porque são meninas gigantes. A gente fala com algumas diariamente e tem um carinho muito grande por todas elas”, demonstrou Wanessa.

“E levar essa visibilidade, como se fosse um mini festival, não é só uma responsabilidade, mas uma forma de mostrar o quanto essas meninas são incríveis e talentosas. Porque a Africanize também tem esse potencial de mostrar um pouco dessa representatividade. Então, a gente quer dar esse lugar para elas como rainhas, como personas que levam essa representatividade não só para o nosso público, mas para todo o Brasil”, acrescentou.

Para Douglas, esse protagonismo se relaciona muito com o histórico da própria empresa. “Quando a gente levantou os dados estatísticos do público frequentador da Yolo, percebemos que 55% do público era feminino. Desde muito tempo, a gente sempre focou muito no empoderamento feminino”, disse.

“No ano passado, quando fizemos um balanço dos dados estatísticos, percebemos que o nosso público era majoritariamente feminino. Por isso, queríamos trazer esse protagonismo para essa edição comemorativa. Já fazemos isso há muito tempo, mas agora queremos dar um foco ainda maior ao protagonismo feminino”, destacou Douglas.

Expectativas para o público soteropolitano

Questionados sobre o que o público baiano pode esperar da festa, os idealizadores prometem uma das maiores festas que já realizaram.

“A gente fez ano passado com ÀTTØØXXÁ e Afrocidade, então acredito que está no mesmo patamar de referência. A gente quer entregar uma festa bem gostosa, com uma vibe muito legal e diferente. Também queremos trazer um pouco do que já fazemos por aqui, trazer o Afrobeats”, espera Wanessa.

“O pessoal pediu muito para a gente levar o Miranda para lá, e a gente também está levando o Shine, que é um DJ de Angola. Então, queremos unir esse continente africano com o Brasil e levar essa potência um pouco para essa turnê, inclusive para Salvador”, concluiu.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde, Viva Comunicação Interativa, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador e portal Bahia Econômica. Atualmente, é repórter de Cultura no bahia.ba. Contato: jlucas9915@gmail.com

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