Sindicato denuncia assédio e tratamento desigual entre brasileiros e chineses na BYD em Camaçari
Outra crítica recorrente é em relação a má qualidade d transporte fornecido pela montadora

O vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, afirmou em entrevista ao bahia.ba, que trabalhadores da fábrica da BYD, em Camaçari, enfrentam episódios de assédio moral, discriminação no ambiente de trabalho e problemas relacionados ao transporte e às condições internas da unidade.
Segundo o dirigente sindical, há diferenças de tratamento entre funcionários brasileiros e chineses em setores como alimentação, transporte interno e regras disciplinares. Ele afirmou que o sindicato pretende levar as denúncias à mesa de negociação com a empresa e não descarta mobilizações.
“Tem algumas práticas que eles [BYD] têm efetuado, que nós estamos sendo contrários. Um deles são coisas básicas, como alimentação. A alimentação, no que se refere ao café da manhã, a qualidade do café da manhã dos chineses é infinitamente melhor, com muito mais variedade de alimentos do que outros brasileiros. Os alimentos do almoço também dos chineses também são melhores do que os dos brasileiros”, declarou Júlio.
O sindicalista também relatou diferenças no transporte disponibilizado dentro da fábrica. “Os transportes internos têm transportes internamente que desloca os chineses que os brasileiros não têm permissão de acessar. E os transportes são muito melhores”, afirmou.
De acordo com ele, situações semelhantes já haviam ocorrido durante a operação da antiga fábrica da Ford em Camaçari e foram revertidas após pressão sindical. “A gente conseguiu resolver isso com mobilização, com paralisação, com atraso na produção. E se a BYD também não se enquadrar em relação a corrigir essas discriminações de alimentação, de transporte ou de tratativa, porque todos são trabalhadores, independente de ser chinês, brasileiro, o que seja, é trabalhador, é ser humano, a gente vai estar mobilizando os trabalhadores”, disse.
Júlio Bonfim também citou episódios que considera discriminatórios no cotidiano da unidade. Segundo ele, um trabalhador brasileiro foi advertido por utilizar a camisa de um time de futebol em uma sexta-feira, enquanto um funcionário chinês, vestido de forma semelhante, não teria recebido reprimenda.
“Então essas questões de discriminação, de tratativa, não pode ser, e não pode ser continuada por parte da empresa”, afirmou.
Assédio moral e problemas com transporte
O dirigente ainda denunciou relatos de assédio moral praticado por lideranças chinesas e brasileiras. “Fora os relatos, os problemas com assédio moral por parte de chineses, na liderança chinesa, de chefias chinesas para com os brasileiros e também de líderes brasileiros contra os próprios brasileiros. Então são coisas que a gente não está admitindo aqui”, declarou.
Além das críticas às relações internas de trabalho, o presidente do sindicato afirmou que a categoria enfrenta dificuldades relacionadas ao transporte fornecido pela montadora. Segundo ele, trabalhadores têm chegado à fábrica com até duas horas de antecedência por falhas na logística dos roteiros.
“O problema é que tem trabalhadores chegando com uma hora e meia. Então, se você chega na empresa com uma hora e meia pelo carro da empresa, independente se você está na linha de produção ou não, você já tem que receber hora extra, porque se você entrou na empresa, você já está em execução de trabalho”, afirmou.
Júlio relatou ainda problemas estruturais nos ônibus utilizados pelos funcionários. “Além de ônibus ruins, de baixa qualidade, com assentos extremamente apertados, ônibus que quebram, ar-condicionados que não funcionam. Nós temos um problema de roteiro”, disse.
Segundo ele, o sindicato também questiona atrasos na saída dos trabalhadores após o término da jornada. “Tem ônibus saindo com 30 minutos, tem o trabalhador com 40 minutos. Isso é ruim para os trabalhadores que têm a sua jornada já estendida”, declarou.
Negociação da PLR
As críticas ocorrem em meio às negociações da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) entre o sindicato e a montadora chinesa. Júlio afirmou que as conversas avançam com dificuldades e que os principais impasses estão relacionados ao valor do benefício.
“O sindicato já colocou o valor de PLR do sindicato, a empresa vai hoje trazer a proposta dela de valor em cima da proposta do sindicato. E a gente vai ver se conseguimos fluir para tentar fechar um valor e um pagamento de primeira parcela”, disse.
O dirigente afirmou que a categoria poderá intensificar as mobilizações caso considere a proposta da empresa insuficiente. “Dependendo da proposta de valor da PLR e da BYD, se for uma proposta que seja ofensiva, desrespeitosa, não ter um determinado avanço sobre nossa proposta que colocamos em mesa, existe a possibilidade de a gente fazer uma assembleia mais prolongada, mais intensa, de 3 a 4 horas”, afirmou.
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