Publicado em 30/05/2026 às 16h53.

Trocar celular por livros pode ajudar no combate à ansiedade, diz especialista

Especialistas da área defendem uma ‘dieta de dopamina’ para combater efeitos negativos da hiperconectividade

Redação
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(Foto: Cottonbro Studio/Pexels)

 

Uma pesquisa de 2025 da Bain & Company revelou que a população brasileira passa, em média, nove horas diárias na internet, sendo três delas em redes sociais. No entanto, especialistas alertam que esse hábito de hiperconectividade pode levar ao esgotamento mental, já sendo considerado uma questão de saúde pública.

A psicóloga especialista em Psicopedagogia, Psicologia Educacional e Neuropsicologia e professora da Uniasselvi, Gabriela Inthurn, contou que o  hábito de buscar prazeres imediatos nas plataformas digitais impacta severamente o funcionamento do cérebro.

“A liberação de dopamina é um processo natural e essencial, mas a superexposição a estímulos curtos e rápidos, como vídeos de poucos segundos e rolagens infinitas de feed, diminui drasticamente a nossa tolerância à frustração”, acrescenta.

Ela explica que a imprevisibilidade das interações virtuais, a sobrecarga de informações simultâneas e as constantes comparações sociais criam um ambiente propício para o adoecimento mental. “O que pode ser considerado potencialmente ruim é o hábito de consumo de recompensas rápidas que podem criar uma preferência por esse tipo de atividade, em vez de outras como estudo, trabalho e atividade física”, alerta a professora.

Para combater a ansiedade e o estresse decorrentes desse excesso, Inthurn e outros especialistas da área defendem uma ‘dieta de dopamina’, isto é, substituir intencionalmente o tempo de tela pelos livros.

Enquanto o uso das redes sociais promove a dispersão e o hiperestímulo, o hábito da leitura age no cérebro de maneira diametralmente oposta. O ato de ler exige atenção focada e a ativação contínua da memória de curto prazo, mobilizando áreas essenciais como o córtex visual, o córtex temporal e o córtex parietal.

Além de ser um exercício para processos cognitivos complexos, a leitura atua como um verdadeiro recurso terapêutico. Ao transportar a mente para outras narrativas, a prática ajuda a “desfocar” dos problemas cotidianos. Esse distanciamento induz a um efeito calmante, capaz de reduzir de forma significativa os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e ansiedade.

Criando o hábito da leitura em 3 passos práticos

Para ajudar as pessoas a incorporarem a leitura na rotina e protegerem sua saúde mental, a psicóloga Gabriela Inthurn sugeriu algumas ações simples:

  1. Facilite o acesso: tenha sempre um livro físico ou leitor digital ao alcance das mãos (na cabeceira, na mochila ou na mesa de trabalho). Comece escolhendo temas de interesse pessoal, histórias que envolvam ou permitam ‘desligar’ momentaneamente da situação que causa estresse.
  2. Priorize a regularidade, não o tempo: a frequência é muito mais efetiva do que a intensidade. Ler algumas páginas todos os dias traz mais benefícios cognitivos do que tentar ler por várias horas seguidas uma vez ao mês. Não existe um tempo mínimo ideal; o que importa é a constância.
  3. Crie um ritual: associe o momento da leitura a pequenos prazeres da rotina, como tomar uma xícara de café ou chá, criando um momento de descompressão.

Sobre a escolha do melhor momento do dia para ler, a professora desmistifica regras rígidas. “Não existe um melhor horário para ler, isso depende da rotina da pessoa. É preciso tomar cuidado para que a leitura não atrapalhe a rotina do sono, que seja realizada em um horário em que a pessoa tenha as condições necessárias para ler (silêncio e iluminação), e evitar momentos em que a pessoa está muito cansada”, concluiu Inthurn.

 

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