Publicado em 03/07/2026 às 14h32.

Julho Amarelo: especialistas chamam atenção para o combate às hepatites

A cor da campanha faz referência à icterícia, um dos sintomas mais conhecidos da doença

Redação
Julho amarelo (Foto: reprodução/Prefeitura de Curitibanos)

O mês de Julho é reservado para a conscientização sobre as hepatites virais, doenças que afetam o fígado e podem evoluir silenciosamente por anos caso não sejam identificadas. A campanha Julho Amarelo, instituída pela Lei nº 13.802/2019, busca ampliar o acesso à informação, incentivar a prevenção, a vacinação e o diagnóstico precoce.

A cor da campanha faz referência à icterícia, um dos sintomas mais conhecidos da doença, caracterizado pelo amarelamento da pele e dos olhos. Para os especialistas, o Julho Amarelo é um importante momento para conscientizar a população sobre a importância da vacinação, da realização dos testes e do diagnóstico precoce.

De acordo com a professora de Biomedicina, Ana Karolina Sales, as hepatites virais são infecções que provocam inflamação no fígado e podem ser causadas pelos vírus A, B, C, D e E. “Algumas hepatites apresentam evolução aguda e podem ser curadas espontaneamente. Já outras podem se tornar crônicas e provocar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado”, explica a biomédica.

O Mestre em Saberes e Práticas em Saúde Coletiva, Reynaldo Júnior, destaca que as hepatites A e E, na maioria dos casos, são agudas e têm cura, enquanto as hepatites B, C e D podem evoluir para formas crônicas quando não tratadas. “A hepatite D, inclusive, só ocorre em pessoas que já possuem hepatite B”, ressalta.

Segundo Sales, um dos maiores desafios das hepatites virais é que muitas pessoas permanecem assintomáticas, especialmente nos casos crônicos. “Quando surgem, os principais sinais incluem cansaço excessivo, febre, mal-estar, náuseas, vômitos, perda de apetite, urina escura, fezes claras e pele e olhos amarelados. Como esses sintomas podem ser confundidos com outras doenças, é fundamental procurar atendimento médico diante de qualquer suspeita”, orienta.

Os profissionais alertam que a transmissão varia de acordo com o tipo de vírus. As hepatites A e E são transmitidas, principalmente, pela ingestão de água ou alimentos contaminados e estão relacionadas às condições inadequadas de higiene e saneamento.

Já as hepatites B, C e D são transmitidas pelo contato com sangue e outros fluidos corporais, podendo ocorrer por relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de objetos perfurocortantes, uso de materiais não esterilizados em procedimentos como tatuagens, piercings e serviços de beleza, além da transmissão de mãe para filho durante o parto.

Reynaldo Júnior faz um alerta para combater a desinformação: “As hepatites virais não são transmitidas por abraço, aperto de mão, compartilhamento de toalhas ou pelo convívio social”.

O diagnóstico precoce pode mudar tudo

O diagnóstico da doença é realizado por meio de exames de sangue capazes de identificar a presença dos vírus ou dos anticorpos produzidos pelo organismo. “Os testes estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, comentou Júnior

Segundo Ana Karolina Sales, como muitas pessoas permanecem sem sintomas durante anos, a realização periódica dos exames é fundamental, especialmente para quem possui fatores de risco. Reynaldo Júnior reforça que quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento.

Prevenção e vacinação

O melhor tipo de prevenção depende do tipo de hepatite, mas algumas medidas são comuns a todas: manter hábitos de higiene, lavar as mãos, consumir água tratada e alimentos preparados de forma segura, utilizar preservativo em todas as relações sexuais, não compartilhar objetos cortantes ou perfurocortantes e garantir que materiais utilizados em procedimentos estéticos estejam devidamente esterilizados.

Além disso, a vacinação é uma das principais formas de evitar o contágio. No Brasil, as vacinas contra as hepatites A e B são oferecidas gratuitamente pelo SUS e contribuem significativamente para reduzir a transmissão e as complicações da doença.

Em relação ao tratamento, Reynaldo Júnior destaca que “as hepatites A e E geralmente exigem apenas repouso, hidratação e alimentação equilibrada. Já as hepatites B e C possuem medicamentos específicos, sendo que a hepatite C apresenta índice de cura superior a 95% quando diagnosticada e tratada adequadamente”.

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