Moradores de Cajazeiras e região cobram saúde, transporte e segurança na Câmara Itinerante
Atividade integra o projeto criado pela Câmara Municipal para levar vereadores a diferentes regiões da capital baiana

Moradores de bairros do entorno de Cajazeiras aproveitaram uma sessão da Câmara Itinerante realizada nesta segunda-feira (8), em Águas Claras, para cobrar melhorias em áreas como saúde, transporte público, segurança, limpeza urbana e habitação. O encontro ocorreu no Colégio Estadual Renan Baleeiro e reuniu representantes de comunidades de Cajazeiras, Castelo Branco, Fazenda Grande, Boca da Mata e localidades vizinhas.
A atividade integra o projeto criado pela Câmara Municipal para levar vereadores a diferentes regiões da capital baiana e ampliar o contato entre o Legislativo e a população. Durante a sessão, também foi entregue um abaixo-assinado com reivindicações elaboradas por mulheres da região.
A reunião foi conduzida pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB), coordenadora da iniciativa. Participaram ainda os líderes do governo, Kiki Bispo (União Brasil), e da oposição, Randerson Leal (Podemos), além dos vereadores Luiz Carlos e Kel Torres, ambos do Republicanos.
Uma das principais cobranças partiu de moradores de Fazenda Grande IV. Representante da comunidade, Marli Carrara, coordenadora técnica da União por Moradia Popular-Bahia, afirmou que famílias beneficiadas por empreendimentos habitacionais enfrentam dificuldades para acessar serviços básicos.
“Nós deixamos de ser atendidos no posto de saúde da Fazenda Grande III e não podemos ser atendidos em Nova Brasília. Assim, nossas famílias estão sem atendimento básico de saúde. Além disso, não temos ponto de ônibus próximo aos nossos condomínios nem iluminação pública adequada, o que obriga, principalmente as mulheres, a percorrer longos trajetos à noite, favorecendo a ocorrência de assaltos”, afirmou.
Segundo ela, a implantação de uma creche também figura entre as principais demandas dos moradores da localidade.
Na área ambiental, Kilson Melo, conhecido como Kilson Cajaverde, fundador de uma organização que atua em Cajazeiras e na orla da cidade, pediu maior atenção à preservação ambiental durante a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU). Ele também defendeu a ampliação da oferta de transporte público para o território.
“Peço também um olhar mais atento dos vereadores para a necessidade de creches comunitárias e de mais acesso à cultura para este importante polo cultural da cidade”, declarou.
Morador da região há mais de quatro décadas, Adaildo Silva afirmou que parte dos problemas enfrentados pela comunidade está relacionada ao distanciamento entre gestores públicos e a realidade local. Pai atípico, ele defendeu que moradores da região ocupem funções estratégicas nos equipamentos públicos.
“Aqui, os serviços públicos de Cajazeiras não estão nas mãos de quem mora em Cajazeiras. Posso citar a gestão do posto de saúde: enquanto foi conduzida por uma moradora da região, a eficiência dos serviços era muito maior”, disse.
Outras reivindicações apresentadas durante a sessão envolveram a criação de um cemitério público para atender a população local. O pedido foi feito pelo pastor Clemente, da Igreja Evangélica Efraim.
Já Cleide Coutinho, conselheira nacional das Cidades e representante do Movimento Nacional de Luta por Moradia, defendeu a regularização da coleta de lixo e a reativação do Conselho Municipal da Cidade, como forma de ampliar a participação popular nas discussões sobre o planejamento urbano de Salvador.
Ao final do encontro, Aladilce Souza afirmou que as manifestações dos moradores servirão de base para a elaboração de um relatório que deverá subsidiar cobranças do Legislativo aos órgãos públicos responsáveis.
“Esse projeto é um termômetro de como as políticas públicas estão sendo implantadas nos bairros, especialmente nos mais vulneráveis. Foi muito importante ouvir esse território tão pujante para a nossa cidade. A partir daqui, será elaborado um relatório para buscar soluções efetivas, cobrando providências das três esferas de governo, seja por meio de projetos de lei, projetos de indicação ou requerimentos”, afirmou.
Segundo a vereadora, a proposta da Câmara Itinerante é aproximar o Legislativo da população e transformar as demandas apresentadas nas comunidades em iniciativas de fiscalização e proposições parlamentares.
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