A era dos brinquedos acabou, mas ‘Toy Story 5’ ainda emociona
Com Jessie no protagonismo, novo filme da Pixar debate o uso das telas pelas crianças

Os brinquedos mais queridos do cinema estão de volta para mais um capítulo da saga Toy Story. Mas, no quinto filme, quem assume as rédeas é a vaqueira Jessie, enquanto a franquia finalmente se debruça sobre um tema bastante atual: o uso das telas pelas crianças.
Sete anos após Toy Story 4, Woody, Buzz e Jessie se reúnem mais uma vez ao perceberem o risco que surge quando os brinquedos são substituídos pelos aparelhos eletrônicos, uma nova ameaça à hora de brincar.
Dirigido por Andrew Stanton e McKenna Harris, Toy Story 5 já não consegue mais alcançar a magia emocionante dos três primeiros longas, quando gerações de crianças e adolescentes passaram a acreditar que os seus brinquedos também poderiam ganhar vida quando ninguém estivesse olhando.
Mesmo longe do auge da série, o filme ainda guarda momentos capazes de marejar os olhos, principalmente para quem cresceu acompanhando esses personagens tão icônicos. A trama é simples e se desenrola rapidamente ao longo de 1h40 de duração.
Foco em novas gerações
Agora, Andy, a criança original, já é uma lembrança distante, conforme acompanhamos os brinquedos cada vez mais adaptados à Bonnie, atual guardiã. Para as pessoas que cresceram com a franquia desde 1995, o encerramento emocional realmente aconteceu em Toy Story 3, em 2010. O foco agora é dialogar com as novas gerações.
Personagens clássicos da franquia, como Sr. Cabeça de Batata, Rex, Porquinho e Slinky, já não têm tanto espaço neste capítulo. A prioridade é apresentar novos personagens e elementos ligados à tecnologia.
A preocupação com o uso excessivo de telas pelas crianças chega com alguns anos de atraso e poderia ter sido abordada desde o quarto filme, mas continua sendo um assunto relevante.
É justamente isso que vemos quando Bonnie ganha um tablet (Lillypad) e passa a deixar os seus mini companheiros em segundo plano.

Foto: Reprodução/ Pixar
Woody e Buzz como coadjuvantes
Woody e Buzz também já não têm mais o protagonismo de outrora. Há momentos que remetem aos melhores instantes dos outros longas, mas eles acabam funcionando mais como uma nostalgia de tempos que ficaram para trás.
Até os próprios personagens demonstram esse “envelhecimento”, como o cowboy ficando careca e o patrulheiro espacial ganhando novas versões adaptadas aos tempos modernos.
Aqui, há também uma trama paralela que, à primeira vista, pode parecer um pouco desconexa. Ela acompanha um exército de “Buzzes” abandonados em uma ilha e acaba se conectando à narrativa principal mais adiante, servindo para mostrar como até mesmo o símbolo da franquia evoluiu em relação à sua versão da década de 1990.
Embora essa linha narrativa possa parecer solta em alguns momentos, ela se integra de forma satisfatória ao conjunto final.
A história é simples, mas relevante. Após a chegada do tablet, os brinquedos se unem na tentativa de reconquistar a atenção de Bonnie e, no processo, acabam vivendo grandes aventuras. Ao mesmo tempo, o filme se apresenta como uma obra educativa para uma geração que já nasce imersa na tecnologia.
A animação promove uma reflexão, tanto para as crianças quanto para os pais, sobre como o uso excessivo das telas pode prejudicar o desenvolvimento e a conexão com a vida real.

Foto: Reprodução/ Pixar
Momento da Jessie
Jessie, finalmente, volta a ganhar destaque após ter sido escanteada no último longa. A vaqueira proporciona alguns dos momentos mais emocionantes do filme, que remetem diretamente à sua história de origem, tão marcante em Toy Story 2.
Ao lado do seu fiel escudeiro, Bala-no-Alvo, a personagem ganha um desenvolvimento significativo e toma os holofotes para si. Em muitos momentos, parece que a narrativa encontra nela a sua verdadeira protagonista.
A verve cômica da franquia continua afiada, garantindo boas risadas da plateia, além de momentos de empolgação quando vemos os brinquedos protagonizarem situações de alto risco.
Outro ponto positivo é que a proposta do filme não é antiquada. Os roteiros de Stanton e Harris não buscam demonizar a tecnologia, mas promover uma reflexão sobre o equilíbrio, defendendo um meio-termo entre a vida digital e as experiências do mundo real.

Aspectos gráficos impressionantes
Os aspectos gráficos seguem cada vez mais impressionantes. É notável como a Pixar continua sabendo explorar os avanços tecnológicos em suas animações. Quando comparado ao primeiro filme, lançado em 1995, o salto visual é gigantesco.
A animação se torna cada vez mais fotorrealista, mas acerta ao explorar também momentos em 2D durante as cenas das crianças brincando, demonstrando como o estúdio permanece aberto a abraçar a tradição em meio à inovação.
A fotografia e os movimentos de câmera são outro destaque. Mesmo trabalhando com personagens caricatos, há um dinamismo e um cuidado técnico impressionantes, tornando tudo muito bonito, fluido e visualmente envolvente.
Conclusão
Se Toy Story 3 representou uma despedida para quem cresceu ao lado desses personagens, o quarto já apresentou um certo esgotamento, mas Toy Story 5 funciona mais como um novo capítulo voltado para aqueles que estão chegando agora.
A magia dos primeiros filmes talvez seja impossível de reproduzir, mas a Pixar demonstra que ainda é capaz de encontrar temas contemporâneos relevantes e transformá-los em histórias sensíveis, divertidas e capazes de provocar conversas importantes entre crianças e adultos.
Ao dar protagonismo a Jessie e propor uma reflexão sobre o equilíbrio entre a tecnologia e as relações humanas, o filme abraça o presente sem abrir mão do carinho pelo passado. E, mesmo que já não seja mais o fim perfeito imaginado em 2010, ainda há espaço para mais uma aventura ao infinito e além.
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