Jornalista com experiência em cidades, política, entretenimento e comunicação digital. Atuou no iG, além de passagem pela Approach Comunicação, com foco em conteúdo de negócios, tecnologia e investimentos. Foi coordenador de comunicação na SECIS/Prefeitura de Salvador e assessor parlamentar, liderando equipes e estratégias de conteúdo. Atualmente, é repórter no portal Bahia.ba e Portal Esfera.
Publicado em 24/06/2026 às 23h22.
Grupo que enviava cocaína da Bahia para Europa pega até 20 anos de prisão
Condenados usavam contêineres no Porto de Salvador para tráfico internacional
Marcos Flávio Nascimento

A Justiça Federal condenou seis integrantes de uma organização criminosa especializada em tráfico internacional de drogas que atuava no Porto de Salvador. As penas chegam a mais de 20 anos de prisão em regime fechado, segundo informações divulgadas pelo Ministério Público Federal (MPF) nesta quarta-feira (24).
Os réus foram alvos da Operação Descontaminação, conduzida pela Polícia Federal para desmontar um esquema que utilizava a estrutura portuária baiana como rota para o envio de cocaína à Europa.
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPF, e analisada pela 2ª Vara da Justiça Federal.
De acordo com as investigações, a quadrilha empregava uma técnica conhecida como “rip-on/rip-off”, método usado por organizações criminosas em diversos países para esconder drogas dentro de contêineres de exportação sem que os donos das cargas tenham conhecimento.
Como funcionava o esquema
Conforme o MPF, o grupo mirava principalmente cargas destinadas a países como Holanda, Bélgica e Espanha, aproveitando a movimentação internacional do Porto de Salvador.
A operação criminosa contava com uma estrutura sofisticada e divisão específica de tarefas. Entre os recursos utilizados estavam informações privilegiadas sobre embarques, veículos clonados, lacres falsificados e apoio logístico dentro do terminal portuário.
As investigações apontaram ainda a participação de pessoas com acesso direto ao porto, responsáveis por identificar contêineres localizados em áreas menos monitoradas pelas câmeras de segurança. Segundo o órgão, os criminosos também utilizavam automóveis com identificação visual semelhante à de empresas autorizadas a operar no terminal, facilitando a circulação sem levantar suspeitas.
Funcionários e técnicos eram cooptados
Outro detalhe revelado pela denúncia é que integrantes do esquema recrutavam profissionais que atuavam no complexo portuário. Entre eles estavam vigilantes, que supostamente recebiam propina para flexibilizar inspeções, além de técnicos de refrigeração responsáveis por provocar falhas em contêineres específicos.
A estratégia criava falsos chamados de manutenção e permitia que os criminosos permanecessem por mais tempo próximos às cargas escolhidas para receber a droga.
Depois da inserção dos entorpecentes, os lacres originais dos contêineres eram removidos e substituídos por versões falsificadas produzidas a laser, mantendo a mesma numeração para dificultar a identificação da fraude.
Penas ultrapassam duas décadas de prisão
As condenações variam conforme o grau de participação de cada integrante no esquema criminoso. O MPF informou que as penas vão de 12 anos e 3 meses a 20 anos, 8 meses e 7 dias de prisão, todas em regime fechado.
Além das sentenças de reclusão, os condenados também deverão pagar multas estabelecidas pela Justiça.
Os seis réus foram responsabilizados por crimes como tráfico internacional de drogas, organização criminosa, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público.
O Ministério Público destacou que a identidade dos condenados não foi divulgada. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recursos.
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