Publicado em 07/07/2026 às 07h06.

CV, BDM e PCC: advogados presos seriam elo das facções com detentos; veja nomes

As investigações apontam que os profissionais da advocacia teriam burlado o isolamento e a incomunicabilidade com o meio externo em presídio de segurança máxima

Redação
Foto: Reprodução

A “Operação Sintonia de Gravata“, deflagrada na última sexta-feira (3), que resultou na prisão de 10 advogados suspeitos de atuar como elo entre o crime organizado e o sistema prisional e colocou sob mira 12 detentos que, segundo as investigações, exercem funções de liderança dentro de facções criminosas com atuação em diversas regiões da Bahia.

De acordo com o g1, já estão recolhidos em unidades penitenciárias, esses homens são apontados como os responsáveis por comandar atividades ilícitas fora dos muros dos presídios, utilizando os profissionais do Direito como intermediários para a manutenção das operações criminosas.

As investigações revelam que o grupo alvo da ação possui ramificações em municípios estratégicos do estado, abrangendo desde a capital, Salvador, até cidades do interior e do extremo sul baiano.

As facções predominantes entre os chefes são o Comando Vermelho (CV) e o Bonde do Maluco (BDM), com a presença também de um integrante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

No Norte do estado, em Juazeiro, as investigações apontam a liderança de Manoel Luiz dos Santos Neto, vulgo “Honda“, vinculado ao Comando Vermelho, e de Wesley William Alves dos Santos, integrante do PCC. Ainda na mesma região, mas na cidade de Casa Nova, Ian Pedro Santos responde como chefe do Comando Vermelho local.

Já no interior, em Senhor do Bonfim, Marlos Araújo Souza Júnior, conhecido como “Bolão“, é apontado como líder do Terceiro Comando Puro (TCP), enquanto em Bom Jesus da Lapa, Décio Douglas Silva Oliveira, o “Vaqueiro“, exerce chefia no Bonde do Maluco.

No extremo sul da Bahia, a cidade de Eunápolis tem como referência do Comando Vermelho José Lucas Silva Rocha, vulgo “Índio“. Em Vitória da Conquista, Francileno de Jesus Nunes, também do CV, é conhecido pelos apelidos “Su“, “Coroa” e “Mineiro“.

Já na região de Feira de Santana, segundo maior município do estado, Victor de Freitas Silva, o “Da Jega“, é apontado como um dos chefes da facção Comando Vermelho. Em Capim Grosso, Fábio Santana Oliveira, vulgo “Panda“, ocupa posição similar na mesma organização criminosa.

Na Região Metropolitana de Salvador, a atuação do Bonde do Maluco se destaca com dois chefes em Lauro de Freitas: Gleidson Bonfim do Nascimento e Leandro da Conceição Santos, conhecido como “Léo Gringo” ou “Shantaram“. Dentro da capital baiana, especificamente no bairro do Calabar, Averaldo Ferreira da Silva Filho, o “Averaldinho“, também é apontado como líder do BDM.

Todos os 12 detentos já estavam sob custódia do sistema penitenciário e tiveram novos mandados de prisão cumpridos no decorrer da operação, que ainda cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em endereços localizados na Bahia. As investigações seguem em andamento para apurar a extensão das articulações entre os chefes presos e os agentes que ainda estão em liberdade.

Audiência de custódia

Quatro advogados alvos da Operação Sintonia de Gravata, deflagrada para desarticular um esquema que envolve facções com atuação no sistema prisional da Bahia, tiveram as prisões temporárias convertidas em prisões preventivas após a realização de audiências de custódia no domingo (5).

As decisões foram proferidas ao longo do dia, e os profissionais deixaram o Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) para serem encaminhados ao sistema prisional.

De acordo com informações da TV Bahia, as audiências dos advogados Izabela da Silva de Oliveira, Luã Santos da Costa, Maria Mariana Batista de Oliveira e Tamires Felix Alves Silva foram realizadas em Salvador. Com a conversão das prisões, eles foram recolhidos a unidades prisionais da capital baiana.

Foto: Reprodução

O que diz a defesa?

A defesa dos advogados Ícaro Cardoso Viana, Izabela da Silva de Oliveira, Luã Mascarenhas de Souza, Maria Mariana Batista de Oliveira e Tamires Felix Alves Silva, presos no âmbito da Operação Sintonia de Gravata, divulgou nota no domingo (5) afirmando que não irá se pronunciar, por ora, sobre o mérito das acusações.

O documento destaca uma preocupação específica com a forma como a prisão está sendo executada, questão que, segundo a defesa, não se confunde com a legalidade do decreto prisional nem com o conteúdo da investigação.

OAB se manifestou

A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Bahia (OAB-BA), Daniela Borges, manifestou-se publicamente em vídeo nas redes sociais sobre a atuação da instituição na Operação Sintonia de Gravata. Em sua fala, ela detalhou as medidas tomadas pela Seccional desde a deflagração da operação, na sexta-feira (3), e falou acerca da defesa das prerrogativas da advocacia.

“Ainda na sexta-feira, dia 3 de julho, a nossa comissão de direitos e prerrogativas acompanhou ainda na madrugada o cumprimento dos mandados envolvendo os advogados. Ao longo de todo o dia, a comissão esteve presente para garantir o respeito às prerrogativas profissionais previstas em lei”, afirmou.

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