Publicado em 09/07/2026 às 13h50.

Espetáculo inspirado na obra de Ariano Suassuna chega à CAIXA Cultural

"Mundo Suassuna" celebra o centenário do escritor paraibano com sessões em agosto

João Lucas Dantas
Foto: Andressa Costa/ Divulgação

 

A CAIXA Cultural Salvador recebe, nos dias 8, 9, 15 e 16 de agosto, o espetáculo Mundo Suassuna – 100 anos de Ariano, montagem voltada ao público infantojuvenil que convida espectadores de todas as idades a mergulhar no universo armorial do escritor paraibano Ariano Suassuna. As apresentações acontecem aos sábados e domingos, com sessões às 15h e às 18h. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) e serão vendidos pela plataforma Sympla.

Com direção e dramaturgia de Marcelo Romagnoli, a peça é inspirada na obra de Ariano Suassuna (1927–2014) e acompanha a jornada de um príncipe que atravessa o sertão ao lado de seu cavalo em busca de um reino e de sua coroa perdida. Em meio a reviravoltas, o cavaleiro enfrenta enigmas, caveiras e uma onça malhada pelas estradas do Império Consagrado do Sertão.

O elenco é formado por Fabio Espósito, Gúryva Portela e Henrique Stroeter. A equipe criativa reúne ainda Manuel Dantas Suassuna, filho do escritor, responsável pela criação dos painéis e estandartes que compõem o cenário; a cantora, compositora e multi-instrumentista Renata Rosa, autora da trilha sonora original; Silvana Marcondes, nos figurinos; Zé Valdir Albuquerque, na cenografia; e Rodrigo Bella Dona, na iluminação.

Reconhecida pela Família Suassuna como a primeira montagem voltada ao público infantojuvenil inspirada na obra do escritor, a peça apresenta um texto inédito que reúne personagens, símbolos e temas marcantes de sua produção literária. A narrativa faz referências a obras como Romance d’A Pedra do Reino e Dom Pantero, publicado postumamente em 2017, além de abordar elementos centrais do universo armorial, como a cultura popular nordestina, a tradição ibérica, a religiosidade e o imaginário sertanejo.

Em “Mundo Suassuna”, um caleidoscópio de histórias recria a mística do sertão por meio de mamulengos, bonecos, gravuras e elementos da cultura popular. O texto dialoga com a literatura de cordel ao incorporar humor, rimas e versos dodecassílabos, enquanto a trilha sonora, executada com rabeca, viola e instrumentos de percussão, aproxima as tradições ibéricas das influências afro-indígenas presentes na formação cultural do Nordeste.

Montado em seu cavalo Pantero, o protagonista — um príncipe órfão de pai, interpretado por Gúryva Portela — percorre a Cidade e o Sertão em busca da cultura popular. Guiado pela Santa Compadecida, enfrenta a Morte, decifra enigmas e registra sua jornada em um caderno, transformando a aventura na própria obra, coroada ao final pela simbólica “Festa do Meio-Dia”.

Nascido na Paraíba, Ariano Suassuna foi um dos maiores nomes da literatura brasileira e criador do Movimento Armorial, iniciativa dedicada à valorização das manifestações culturais nordestinas, como a literatura de cordel, a música, a dança e o teatro. Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1990, teve obras consagradas adaptadas para o cinema, a televisão e o teatro, entre elas O Auto da Compadecida, A Pedra do Reino e Uma Mulher Vestida de Sol.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde, Viva Comunicação Interativa, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador e portal Bahia Econômica. Atualmente, é repórter de Cultura no bahia.ba. Contato: jlucas9915@gmail.com

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