Justiça mantém prisão de empresária suspeita de aplicar golpe de R$ 600 mil em idosos
A Polícia Civil estima que o prejuízo patrimonial ultrapasse R$ 600 mil

Uma empresária de 34 anos foi presa na terça-feira (14), em Feira de Santana, suspeita de liderar um esquema de fraudes contra idosos que teria causado um prejuízo estimado em R$ 600 mil. Identificada como Jéssica Gonçalves dos Santos, proprietária da empresa JS Cred, ela é investigada pelos crimes de estelionato qualificado contra pessoa idosa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Nesta quarta-feira (15), após passar por audiência de custódia, a Justiça manteve a prisão preventiva da investigada.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema teria feito ao menos 70 vítimas, em sua maioria idosos, aposentados e pensionistas. As investigações apontam que a empresa oferecia serviços de empréstimos consignados, refinanciamentos e portabilidades de crédito, oportunidade em que recolhia documentos pessoais, dados bancários e validações biométricas dos clientes.
Segundo a apuração, após obter essas informações, a suspeita realizava operações financeiras em valores superiores aos solicitados pelos clientes, repassando apenas parte do montante contratado. Em outros casos, os empréstimos eram efetivados, mas nenhum valor era entregue às vítimas, que permaneciam responsáveis pelo pagamento das parcelas junto às instituições financeiras. Conforme a decisão judicial, também há indícios da contratação de empréstimos e portabilidades sem autorização dos clientes, além da transferência dos recursos para contas de terceiros.
A Polícia Civil estima que o prejuízo patrimonial ultrapasse R$ 600 mil, valor que pode aumentar à medida que novas vítimas forem identificadas. A investigação também aponta a participação de pelo menos outras cinco pessoas, incluindo funcionários da empresa, e apura a existência de uma associação criminosa estruturada para a prática reiterada das fraudes.
Durante a operação, além da prisão da empresária, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em dois endereços ligados à JS Cred. Em um dos imóveis, os policiais apreenderam computadores, celulares e documentos que devem auxiliar na continuidade das investigações. Já no segundo endereço, localizado em um shopping da cidade, nenhum material foi encontrado.
Ao decretar a prisão preventiva, a Justiça destacou que os elementos reunidos durante o inquérito indicam a existência de um esquema organizado, com atuação reiterada e voltada principalmente contra pessoas idosas, grupo considerado especialmente vulnerável. A magistrada ressaltou que as fraudes recaíam sobre benefícios previdenciários e rendimentos destinados à subsistência das vítimas, comprometendo não apenas seu patrimônio, mas também sua autonomia financeira e condições de sobrevivência.
A decisão também menciona que Jéssica possui antecedentes relacionados à prática de estelionato e responde a outros procedimentos criminais por fatos semelhantes, circunstâncias que, somadas às provas produzidas nesta investigação, demonstrariam risco concreto de reiteração delitiva.
Para a juíza, a manutenção da investigada em liberdade poderia comprometer a instrução criminal, favorecer a destruição de provas, influenciar testemunhas e possibilitar a continuidade da suposta atividade criminosa.
Além de manter a prisão preventiva, a Justiça determinou a suspensão cautelar das atividades da empresa JS Cred, por entender que o estabelecimento teria sido utilizado como principal instrumento para a execução das fraudes investigadas. A decisão prevê ainda comunicação ao Banco Central para adoção das providências administrativas consideradas cabíveis em relação à atuação da empresa como correspondente bancário.
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