.
Publicado em 02/01/2026 às 11h00.

OPINIÃO: Ventos de mudança sopram na Bahia

O deputado Tiago Correia é presidente estadual do PSDB e líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA)

Tiago Correia
Foto: Divulgação/ALBA

 

Quem tem a oportunidade de circular pelo interior da Bahia já notou que há uma significativa mudança na percepção das pessoas sobre o futuro do nosso Estado. O que antes parecia ser um sentimento apenas dos grandes centros urbanos agora se espalhou por todos os cantos, nas pequenas e médias cidades, incluindo lugares mais afastados na zona rural.  

Esse é um movimento que a própria classe política tem dificuldade de explicar, porque ele é orgânico, próprio do povo – que quando decide que é hora de mudança, ninguém segura.

A última pesquisa Real Time Big Data sobre o cenário eleitoral da Bahia mostrou que a maioria do eleitorado (56%) defende uma mudança de governo. Esse mesmo levantamento reiterou a preferência dos baianos pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, como emissário dessa mudança. 

Temos pelo menos dois exemplos na história recente da Bahia sobre isso. Um em 1986, com a vitória do governador Waldir Pires (in memoriam), e outro em 2006 na eleição de Jaques Wagner. Ambos venceram com franco apoio popular contrariando a lógica dos governantes de momento e quebrando ciclos de vinte anos, como o que se completa em 2026 dos sucessivos governos do PT no Estado.

Há um evidente cansaço desse projeto que está posto. Prova disso é a falta de resultados efetivos e indicadores sociais muito ruins, como na educação, na saúde e na insegurança alimentar. Segundo mostrou o IBGE, quase 40% dos lares baianos enfrentam fome. Se houvesse um boletim para pontuar as notas da gestão estadual, ela certamente seria reprovada. Não caberia ao governador Jerônimo Rodrigues, por exemplo, o recurso de aprovação automática que ele propõe aos estudantes da rede pública para maquiar o baixo desempenho escolar do Estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Nem mesmo a tal parceria com o governo federal que eles prometeram durante a campanha eleitoral passada conseguiu entregar resultados convincentes a ponto de refrear esse desejo de mudança que só cresce na Bahia. Pelo contrário, o que se vê é um governador que não desceu do palanque e que vive atrás de apoio político por onde passa de olho na próxima eleição.

Fato é que Jerônimo chega ao seu último ano de governo sem ter uma marca sequer. Ou melhor, sua gestão virou sinônimo de muitas promessas de obras que não saem do papel e de empréstimos bilionários tomados de maneira açodada e sem planejamento – alargando o endividamento do Estado. Se a parceria com o governo Lula fosse realmente proveitosa, não estaríamos empurrando essa conta para o futuro. 

Esse vazio de compromisso e de resultados palpáveis ajudam a explicar o movimento que vemos rumo a 2026: será uma eleição daqueles que querem se amontoar no poder versus a escolha do povo. E a força do povo, mais cedo ou mais tarde, sempre vence.

Ventos de mudança sopram na Bahia.

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.