Publicado em 14/09/2019 às 07h00.

Maior número de baleias jubarte encalhadas nas praias estão enfermas

Veterinário chefe do Instituto Baleia Jubarte alerta que contato com esses animais podem resultar em transmissão de doenças, a exemplo da pneumonia

Rayllanna Lima
Foto: Reprodução/Instituto Baleia Jubarte
Foto: Reprodução/Instituto Baleia Jubarte

 

Do total de 46 baleias jubarte encalhadas este ano na costa brasileira, 16 foram registradas em praias baianas. Em muito dos casos, curiosos e pessoas interessadas em ajudar acabam entrando em contato com o animal, ação totalmente desaconselhada pelo Instituto Baleia Jubarte, que acompanha os mamíferos há mais de 30 anos.

Em entrevista ao bahia.ba, o veterinário chefe da entidade, Hernani Ramos, explicou que o contato entre os humanos e as baleias é uma das maiores preocupações dos especialistas, haja vista que a maioria dos animais que acabam nas praias estão doentes ou machucados.

“Pelos cetáceos serem mamíferos, existe uma proximidade muito grande com a gente, porque também somos mamíferos. Quando o animal encalha, a gente tem que partir do pressuposto que esse animal está com algum problema, está enfermo, porque o animal saudável dificilmente encalha. E existe uma série de enfermidades que podem ser transmitidas dos animais para as pessoas”, relatou.

Segundo ele, a maioria dessas doenças são respiratórias, a exemplo da pneumonia. “A pessoa que está tocando o animal, respirando o mesmo ar que o animal está exalando, corre o risco de adquirir alguma enfermidade. O processo de decomposição é rico em quantidades de bactérias. É uma contaminação biológica muito perigosa”, afirmou.

Saiba como ajudar

Ao ver uma baleia se debatendo fora da água, mesmo sabendo dos riscos, algumas pessoas, comovidas pelo sofrimento do animal, tentam ajudar jogando baldes de água. Em alguns casos, grupos de pessoas se juntam para tentar devolver o mamífero ao mar.

Essa ação, contudo, pode mais prejudicar do que ajudar. Animais enfermos não podem ser devolvidos ao seu habitat natural antes de serem cuidados. Vale pontuar que baleias podem ficar fora do mar por semanas.

A primeira recomendação dada por Hernani Ramos é que, ao identificar uma baleia encalhada, a pessoa ligue para organizações especializadas. Enquanto o resgate não chega, o máximo que pode ser feito é criar uma espécie de cobertura para que o mamífero fique na sombra.

“A população tem a boa vontade de salvar o animal, empurrar de volta para a água. Mas esse procedimento não é possível ser feito com as mãos. Temos técnicas, tem a necessidade de rebocador, de cabos, de cinta. Não é simples tirar uma baleia da areia. E o animal enfermo não poder ser devolvido ao ambiente. Então, é importante acionar o Projeto Baleia Jubarte, organizações que atuam na área, para que veterinários especializados vão até o local, examinem os animais e ajudem a tomar as decisões para cada caso”, explicou.

A entidade atua, inclusive, instruindo órgãos do poder público para, antes de tudo, realizar o isolamento da área até que um especialista chegue. “Se for um dia muito ensolarado, o ideal é proporcionar uma sombra. É uma região do Brasil muito quente. O sol e o calor são inimigos desses animais que estão encalhados”, esclareceu o veterinário.

Contatos – O Instituto Baleia Jubarte pode ser acionado por meio dos contatos abaixo.

  • Caravelas: (73) 3297-1340 (de segunda a sexta-feira) e (73) 98802-1874 (WhatsApp 24h)
  • Praia do Forte: (71) 3676-1463 (de segunda a sexta-feira) e (71) 98154-2131 (WhatsApp 24h)

 

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