Publicado em 06/03/2026 às 10h46.

Maioria das vítimas de violência sexual na Bahia é criança e adolescente, diz relatório

Estudo da Rede de Observatórios registrou 273 casos de violência contra a mulher no estado em 2025

Raquel Franco
Brasília (DF) 19/06/2024 – Membros do movimento “Criança não é Mãe” realizam protesto contra o projeto de lei (PL 1.904/2024), que equipara aborto de gestação acima de 22 semanas a homicídio. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Segundo o relatório “Elas Vivem”, da Rede de Observatórios da Segurança, divulgados nesta sexta-feira (6), a Bahia registrou 273 casos de violência contra a mulher ao longo de 2025. O documento aponta que entre os dados mais alarmantes do estado está o perfil das vítimas de crimes sexuais. Das 75 ocorrências de violência sexual ou estupro, 57,3% vitimaram crianças e adolescentes com idade entre 0 e 17 anos.

No recorte da letalidade, o estado contabilizou 47 feminicídios e 47 homicídios de mulheres no período. Além disso, foram registradas 47 tentativas de feminicídio ou agressões físicas. 

O estudo mostra que a violência de gênero no estado é frequentemente marcada por motivações como ciúmes ou a não aceitação do término de relacionamentos.

Os pesquisadores monitoraram dados de nove estados e revelaram que a violência sexual cresceu 59,6% em um ano, saltando de 602 para 961 casos no total das áreas pesquisadas. O Amazonas lidera em números absolutos de violência sexual, enquanto São Paulo concentra o maior volume total de eventos de violência contra a mulher.

O volume total de registros de violência sexual e estupro nos nove estados monitorados foi:

– Amazonas: 353 casos
– São Paulo: 191 casos
– Pará: 123 casos
– Rio de Janeiro: 95 casos
Bahia: 75 casos
– Piauí: 53 casos
– Pernambuco: 53 casos
– Ceará: 26 casos
– Maranhão: 23 casos

Percentual de vítimas entre 0 e 17 anos dentro do total de casos de violência sexual:

– Amazonas: 78,4%
– Pará: 62,8%
– Bahia: 57,3%
– Ceará: 53,8%
– Pernambuco: 45,5%
– Piauí: 43,4%
– Maranhão: 39,1%
– São Paulo: 35,6%
– Rio de Janeiro: 30,5%

Perfil do agressor  

Os dados revelam que o perigo para as mulheres e meninas está, majoritariamente, dentro de casa. Em 78,5% dos casos monitorados, a violência foi cometida por companheiros ou ex-companheiros. O ambiente doméstico e as relações íntimas de afeto respondem pela maior parte das agressões. De acordo com o relatório, isso desmistifica a ideia de que a principal ameaça vem de desconhecidos na rua.

Invisibilidade racial 

Outro ponto crítico é a ausência de informações raciais nos registros. Em 86,7% das ocorrências, não houve identificação de raça ou cor das vítimas, o que dificulta a criação de políticas públicas direcionadas para mulheres negras e indígenas, que são as mais vulnerabilizadas.

Onde buscar ajuda na Bahia

Para mulheres em situação de violência em Salvador e região, os seguintes centros oferecem suporte especializado:

– Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar

Atendimento: Segunda a sexta, das 8h às 18h
Endereço: 5ª Avenida do CAB, nº 560, 3º andar, sala 305E, Salvador
Telefone: (71) 3372-1867

– Centro de Atendimento à Mulher Soteropolitana Irmã Dulce
Serviços: Atendimento psicológico, jurídico e assistência social
Atendimento: Segunda a sexta, das 8h às 17h
Endereço: Rua Léllis Piedade, nº 63, Ribeira, Salvador
Telefone: (71) 3202-7399

Denúncias gerais podem ser feitas pelo Ligue 180 (nacional) ou, em casos de emergência policial, pelo 190.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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